terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vamos falar sobre: O Iluminado

Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre um dos livros que eu mais queria ler dentre todos os mais de cem da minha wishlist, que morou lá por muito tempo até que eu finalmente pude comprá-lo neste ano e que não só correspondeu como superou minhas expectativas: O Iluminado, de Stephen King.
A obra-prima do suspense/terror sobrenatural nos conta a história da família Torrance e a maneira como sua vida é afetada pelo grande hotel Overlook.
Jack, o pai da família, é um homem que já teve problemas sérios por conta de seu alcoolismo e mau temperamento e, na tentativa de superá-los, se muda com a esposa e o filho, Wendy e Danny, para o luxuoso hotel Overlook, para trabalhar como zelador. O estabelecimento se localiza nas montanhas em uma região de inverno rigoroso e, no período de neve, é quase impossível e nem um pouco recomendado chegar até ele. A função de Torrance seria cuidar do hotel neste período em que ele fica completamente vazio e isolado do resto do mundo, o que seria uma grande oportunidade para se afastar dos vícios e poder se concentrar em concluir a peça de teatro em que tanto trabalha. 
Acontece que o Overlook não é um simples hotel. Com um histórico nebuloso cercado de mortes e transações suspeitas entre membros da máfia, esconde diversos mistérios em cada um de seus quartos, e o espírito do hotel não descansará enquanto os seus novos moradores não estiverem mortos também, principalmente Danny, com certas habilidades que o tornam um Iluminado: o garoto pode ouvir os pensamentos dos outros, além de ter visões acerca do que já aconteceu e do que poderá acontecer. Trata-se de um imenso poder, poder este que o hotel quer obter a todo custo.



Uma das questões mais notáveis do livro e que não posso deixar de ressaltar já de cara é a imensa profundidade psicológica que traz, explorando com perfeição todos os personagens em seus mais íntimos pensamentos. E não só as características psicológicas são trabalhadas, mas os pensamentos que se passam em suas cabeças nos instantes mais importantes, conseguindo detalhar cada um de uma maneira que nunca vi em um livro. Nunca vi um narrador onisciente tão... onisciente. Cada lembrança descrita terá uma grande significação ao longo da história, cada pensamento pode ser levado em conta e é indispensável na transição emocional dos personagens.
A mais importante, sem dúvida, é a de Jack. Não é spoiler dizer que o hotel tentará usar o pai para conseguir botar as garras no filho (você certamente já viu a cena clássica em que ele aparece por trás de um buraco que fez na porta e diz "here's Johnny"). A maneira como o Overlook se apossa de Jack é brilhantemente descrita por King: todos os pensamentos conflitantes, todos os momentos em que você percebe o hotel tomando conta de quem Torrance era.
É também maravilhosa a maneira como Stephen consegue fazer tudo isso sem tornar a leitura maçante. Muitas vezes você se pega lendo várias e várias páginas apenas de pensamentos e lembranças, mas, o que poderia ser muito cansativo e deixar a leitura emperrada, na verdade passa de forma deliciosa sem você se incomodar.

O Overlook é a peça central e tão importante e presente na história que podemos colocá-lo como um personagem de fato, o quarto participante que está sempre lá, permeando a vida dos três Torrance enquanto as coisas vão de mal a pior.
A maneira como o sobrenatural é inserido no livro é espetacular, e temos desde cenas mais psicológicas do que visuais de fato a cenas que beiram o macabro, tão brilhantemente descritas.
Se, em outros livros, elogio a riqueza de detalhes físicos, neste é a riqueza de detalhes dos elementos abstratos que torna tudo sensacional, sendo um livro diferente de qualquer outro que você irá ler.  
Com toda essa tensão psicológica, é aquele tipo de obra que te arrepia aos poucos, e você se encontra tão dentro da cabeça dos personagens que é impossível não se afligir e se colocar em seus lugares. É tão recomendado mas tão recomendado que se torna quase obrigatório!

Espero que tenha gostado, até a próxima ;D

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Vamos falar (e talvez surtar um pouco) sobre A Esperança: o Final!



Oi, como vai?
Hoje estreia, depois de um ano, o tão aguardado A Esperança: o Final, conclusão épica da franquia iniciada em 2012 baseada nos livros de Suzanne Collins! Fui ontem à pré-estreia, com pessoas surtando na sessão e tudo o mais, e posso adiantar a todos que ainda não viram que o resultado ficou espetacular, assim, em níveis absurdos mesmo.
O longa dá continuidade e conclusão à saga de Katniss Everdeen, que se voluntariou para tomar o lugar da irmã mais nova nos Jogos Vorazes e, lá, por conta de sua personalidade um tanto incontrolável, tornou-se o símbolo da revolução para todos aqueles que viviam em condições desumanas no país, enquanto os habitantes da Capital viviam de luxo e desperdícios. 
No último longa, A Esperança: parte 1, Katniss finalmente conheceu o Distrito 13, que todos acreditavam ter sido completamente destruído pelas tropas da Capital depois de tentar se rebelar. Este filme foi criticado por conta de seu ritmo, as clássicas críticas acerta de qual é a necessidade de se dividir o último livro em dois. Não sei se é porque eu gosto tanto da saga a ponto de não conseguir ser imparcial ou se por outros motivos, mas eu adorei e, particularmente, não entendi o motivo de tamanhas reclamações. Mas, se já gostei tanto assim da parte 1, podem imaginar como me sinto com relação a esta parte final.
Neste, Katniss se encontra cada vez mais próxima de seu objetivo: matar o presidente Snow. Sendo o grande símbolo da revolução, ela conseguiu unir todos os Distritos contra a Capital sob o comando do Distrito 13 e sua líder, Alma Coin, e neste longa as tropas rebeldes finalmente marcham contra o centro do governo do país.
A questão é que Katniss começa a se sentir um tanto desconfiada acerca das intenções de Coin: se sentindo completamente usada pela líder e por Plutarch Heavensbee, antigo idealizador dos Jogos, e percebendo que ela não se mostra muito diferente de tudo aquilo que mais era criticado em Snow e que motivara toda a rebelião de fato, a protagonista deve tomar importantes decisões e aprender a não confiar completamente em ninguém.
Somado a isso temos um Peeta perturbado, depois de ter sido sequestrado e teleguiado pelos agentes da Capital para ser uma arma contra Katniss, e um Gale que se mostra cada vez mais ligado aos ideais do D13 e perdendo os escrúpulos quando o objetivo é atingir o governo. 



O longa começa de forma relativamente calma, mas em nenhum momento perde o climão de final épico de uma saga. 
Com a tensão crescendo continuamente ao longo de suas pouco mais de duas horas de duração, conseguiu me deixar com o coração prestes a sair pela boca mesmo já tendo lido o livro. Acho até que é por ter lido o livro que eu ficava tão nervoso assim: temos muitas mortes e outras cenas chocantes no filme, e só de saber que elas se aproximavam eu já ficava tenso.
Embora muitas pessoas tenham chorado, não sinto que foi um filme para se emocionar. Muitas coisas acontecem continuamente e você fica preso à poltrona, sem conseguir piscar ou parar para respirar calmamente, e a tensão é o que prevalece. 
Francis Lawrence, como sempre, não nos decepciona de forma alguma, e, mesmo que eu não me lembre do livro com detalhes, sei que as partes mais importantes e marcantes estão lá, representadas impecavelmente por alguém que claramente leu o livro e se preocupou com a história original (coisa que está tão em falta no cinema). 
Com cenas simbólicas e assustadoramente realistas, consegue chocar não somente como parte da história mas como algo que poderia (e muito provavelmente acontece) acontecer na vida real (como uma certa cena envolvendo criancinhas da Capital).
A conclusão de tudo é tão bem feita que arrepia, sendo fiel a tudo o que acontece no livro e não deixando pontas soltas (não que eu tenha percebido, pelo menos).
Com muito boas atuações, com destaque óbvio para a espetacular Jennifer Lawrence, que se destaca e consegue transmitir impecavelmente o sentimento de qualquer personagem que se proponha a interpretar, também rende elogios a Donald Sutherland e a rainha Julianne Moore, respectivamente Snow e Coin, além de Josh Hutcherson, lidando com todos os seus conflitos internos e sua mente bagunçada pela Capital. 
Mesmo que seja um filme relativamente longo, a história é tão bem distribuída e amarrada que passa muito rápido.
Por algum motivo, meu filme favorito da franquia continua sendo o segundo, Em Chamas, mas A Esperança: o Final dá um grandioso show e se tornou o meu segundo acirrado favorito.
Agora acabou de vez, depois de quatro anos e quatro incríveis filmes, e fico muito feliz e orgulhoso ao lembrar que fui em todas as estreias, desde o primeiro longa. Marcante, certamente deixará saudades e já se tornou insubstituível para todos os fãs! 
E vocês, já assistiram ou assistirão logo à conclusão da saga? E, se sim, o que acharam? 

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Vamos falar sobre: Como Eu Era Antes de Você



Oi, como vão?
Hoje estou aqui para falar sobre um dos últimos livros que li e um dos melhores romances que já conheci (não que eu leia muitos romances, mas este é realmente bom): Como Eu Era Antes de Você, de Jojo Moyes!
O livro nos conta a história de Louisa Clark, uma jovem de uma cidade pacata da Inglaterra que vive uma vida ainda mais pacata, se posso dizer. Ela trabalhou a vida toda em um estabelecimento da cidade, sem sequer fazer faculdade, e sempre viveu uma vida muito pequena, limitada e sem grandes aspirações: não se interessava por viagens, por aventuras, por novidades. Até que o lugar em que trabalhava fechou e Lou se viu desempregada, sem muitos atributos em um currículo que a garantissem um bom emprego depois disso. 
Depois de passar por estranhas experiências em busca de um novo emprego, Louisa se vê na casa dos Trainor, sendo contratada para trabalhar com um rapaz amargo que ficara tetraplégico depois de um acidente de moto. Assim ela conhece Will Trainor, que sempre foi seu completo oposto: aventureiro, gostava de estar constantemente conhecendo coisas novas e vivendo novas experiências, levando uma vida de sucesso com toda sua riqueza e beleza e uma linda namorada, além de um bom emprego.
Tudo em sua vida mudou depois que, em um dia chuvoso, foi atropelado por uma moto e perdeu praticamente todo o movimento do pescoço para baixo. Agora, preso à sua cama e a uma cadeira de rodas motorizada, abandonado pela ex-namorada e impossibilitado de praticar tudo aquilo que fazia com que sua vida fosse tão boa assim, tornou-se amargo e profundamente infeliz.
Em companhia do enfermeiro Nathan e sendo, de certa forma, sufocado pela mãe, Will resolve pôr um fim a tudo isso por meio da Dignitas, uma clínica de suicídio assistido (basicamente, eutanásia), onde muitas pessoas na mesma situação se reúnem às famílias e partem pacificamente, sem nenhuma dor, da maneira que bem entenderem.
Sua família, como era de se esperar, não aceita a ideia de forma alguma, mas resolve fazer um acordo: se, em dentro de seis meses, Will não encontrasse nada que lhe fizesse mudar de ideia, eles nada poderiam fazer a não ser acompanha-lo até a clínica onde ele finalmente cometeria suicídio. 
É aí que entra Louisa: com seu jeito extrovertido, a garota se torna a única esperança para fazer com que Will restaure sua vontade de viver, e ela se empenhará muito para que isso aconteça.



Esta é a história do livro lançado por Moyes que, sim, lembra, de certa forma, o filme francês Os Intocáveis. No longa (que, aliás, recomendo) um rapaz sem qualificação alguma acaba na função de cuidador de um milionário tetraplégico e, contrariando o que todos esperavam, se deu muito bem no trabalho e se tornou o melhor amigo do patrão.
No caso de Como Eu Era Antes de Você, tudo leva a um romance, é claro. Mas a maneira como a autora desenvolve a relação entre Lou e Will faz com que não seja um romance forçado, empurrado no leitor do início ao fim. Mesmo que seja o esperado, no final das contas, Moyes nos faz vibrar a cada avanço que a amizade dos dois toma, e, mesmo que a história de amor esteja sempre lá no fundinho, o que mais chama a atenção é a amizade incrível que constroem.
A maneira como um muda aos poucos a vida do outro é natural e muito gostosa de ser acompanhada, justificando o título do livro que, mesmo que pareça se referir a Will, na verdade representa toda a mudança que ele realiza em Clark. 
Se você, assim como eu, não suporta romances açucarados, não terá problema nenhum com esse livro. Não há momentos melosos, nem nas cenas mais românticas. Isso não quer dizer que seja seco, pelo contrário: é lindo, só que bem balanceado e, como já ressaltei, bastante natural.
A escrita de Jojo é uma delícia, e os personagens são muito carismáticos. Ao ler, você tem em mente o tempo todo que poderá sofrer muito no final, a possibilidade sempre lá, cada vez mais perto. E, mesmo que as evidências apontem para um dos lados, você torce o tempo todo para que uma reviravolta aconteça e tudo termine da forma mais bonita possível.
A adaptação do romance será lançada, creio eu, no ano que vem, protagonizada por ninguém menos que Emilia Clarke (a Daenerys, de Game of Thrones) como Louisa e Sam Claflin  (o Finnick, da saga Jogos Vorazes) como Will, e mal posso esperar! 
Mesmo que a premissa de uma pessoa espevitada ajudando um milionário tetraplégico amargo não seja das mais originais, o desenvolvimento dado é imperdível, e é um livro que recomendo muito!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D