domingo, 15 de maio de 2016

Vamos falar sobre Dom Casmurro

Oi, migos, como vão?
Hoje estou aqui (depois de mais um hiatus imenso, perdão) para falar sobre um dos maiores e mais comentados clássicos do nosso país, escrito por um dos melhores autores da literatura brasileira (e, particularmente, meu favorito): Dom Casmurro, de Machado de Assis!
O livro nos leva em uma espécie de tour psicológico pelo desenvolvimento da relação entre Bentinho e Capitu, que começou como uma história de amor muito belezinha, mas que terminou com uma atmosfera de muita desconfiança e até mesmo de ódio.
Bento e Capitu sempre foram muito próximos, crescendo praticamente juntos, e, ao chegarem à adolescência, perceberam que o que sentiam um pelo outro era, na verdade, amor. Acontece que, quando ele nasceu, sua mãe fez uma promessa que envolvia, como parte do cumprimento, mandá-lo para um seminário quando ficasse mais velho, para que ele se tornasse padre.
Não precisa nem dizer que essa promessa tornou-se um enorme empecilho para o relacionamento dos jovens. Traduzindo, bugou completamente o rolê dos dois. Bentinho, sem muita voz ativa para enfrentar a mãe sobre as decisões que envolviam sua própria vida, nada fez para tentar mudar isso, e lá foi para o seminário, sendo separado da amada.
Ele não se torna padre, vale ressaltar, mas, pelo menos, o seminário serviu para que conhecesse aquele que vem a ser seu melhor amigo, Escobar (que, by the way, também não vira padre).
Depois de muito tempo, já adultos, Bentinho finalmente se casa com Capitu, com quem tem um filho. Sua família e a de Escobar eram muito próximas e, quando o rapaz morre, todos estão presentes no velório. É aí que tudo começa a desandar.
Bentinho sempre deixou transparecer que é um homem muito ciumento (bem inseguro com relação ao próprio taco, digamos), mas o ciúme atinge seu ápice ao ver a esposa chorando pela morte do amigo. Ele enxerga, no jeito com que Capitu sofre pelo defunto, o sofrimento de quem perdeu o amado, e, à partir de então, torna-se desconfiado de um jeito bem doentio, chegando até mesmo a acreditar que seu filho é, na verdade, filho do melhor amigo. 
Daí vem a clássica pergunta: Capitu traiu ou não? E a resposta mais clássica ainda: não sei. Ninguém sabe.



Essa dúvida é plantada de maneira genial por Machado. De certa forma, ele nos dá motivos para acreditar nas duas possibilidades, e nunca, em momento algum, fica explícita a resposta para a grande questão.
Quando eu era mais novo, eu acreditava que fosse um segredo universal que todos aqueles que leram o livro guardavam para si, como um spoiler que, se fosse dado, tiraria toda a graça da coisa. Mas a verdade é que a resposta não está lá! Quer dizer, está. Mas não está.
Pra começar, a narração é em primeira pessoa, o que já deixa qualquer conclusão muito mais difícil. Bentinho é um narrador nem um pouco confiável. Primeiro, porque é bem louco de ciúmes, então é claro que, vendo por seus olhos, qualquer coisinha que Capitu faça pode parecer uma coisona enorme. Segundo, por mais e mais motivos que não vou contar porque, né, faz parte da graça do livro.
Por outro lado, Capitu é descrita como uma mulher bem espertinha desde sempre, que sabe fingir muito bem, quando precisa. E, assim como disse sobre Bentinho, há mais alguns motivos cuja descoberta dá graça ao livro.
Particularmente, acredito que ela não traiu. Mas essa conclusão não passa de achismo, e isso é um dos principais fatores que perpetuaram Dom Casmurro como um dos maiores livros da nossa literatura, conseguindo se manter vivão até hoje e prometendo continuar assim até, tipo, sempre.
É uma narrativa lenta, não nego, mas isso se deve principalmente ao fato de ser muito reflexiva, o que torna a leitura muito gostosa de se acompanhar. Se você, assim como eu, preza pela profundidade dos personagens, e gosta de acompanhar character development, esse livro é um prato mais do que cheio!
Machadão faz uma verdadeira viagem pelos pensamentos mais obscuros de Bentinho, e nos sentimos realmente imersos. É muito interessante a maneira como os lugares e a aparência física parecem nem ter tanta importância, mas os olhares, os gestos mais repentinos, tudo ganha muita atenção e faz toda a diferença (Capitu, por exemplo, tem os olhos como uma de suas principais características, como se fossem a janela de sua alma). Para quem se interessa por psicologia, está aí outro prato cheio.
Mas, já aviso: é um livro que não deve ser lido como qualquer outro. Deve-se estar sempre atento às entrelinhas. Nada é desperdiçado, e as palavras estabelecem uma harmonia perfeita entre si, como se fossem escolhidas com o maior dos cuidados por parte do autor para dar o efeito desejado. 
Tive que ler para a escola, mas, sem dúvidas, foi a melhor leitura obrigatória que já tive na vida!
Recomendo muito, mas, já que pode não ser um livro que você lerá como lazer em uma tarde ensolarada de domingo, digo pelo menos que não reclame quando seu colégio te mandar lê-lo, e não perca essa oportunidade com resumos ou com uma leitura rasa. Você nem imagina a joia que terá em mãos!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

P.S. E aí, traiu ou não?

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Refletindo sobre 2015: os livros de que menos gostei


Oi migos, tudo bem?
Hoje eu estou aqui, na parte três da minha série deveras legal, para falar mais um pouco sobre as leituras de 2015. Se no último post falei um pouco sobre os que mais gostei e que entraram para o hall da fama da minha vida como leitor, hoje falarei sobre aqueles que entraram na lista negra. Não colocarei em ordem específica, porque não consigo achar o que desgostei mais, então virá em uma ordem puramente aleatória.
Vamos lá?

O Fantasma de Canterville



É louco como o autor, Oscar Wilde, pode estar tanto na minha lista de favoritos como na lista de desfavoritos (acho que esse termo não existe, mas vocês me entenderam). Assim como ele escreveu aquela oitava maravilha do mundo chamada O Retrato de Dorian Gray, ele também escreveu esse livro de contos, encabeçado por O Fantasma de Canterville (daí o nome da obra), um livro tão sem graça mas tão sem graça, que precisei me forçar a terminar. O primeiro conto é o mais divertido (ou menos chato, pense como quiser), que conta a história de uma família americana que se muda para uma mansão inglesa, que é assombrada por um terrível fantasma. Acontece que, descrentes, a família simplesmente caga e anda não liga para o fantasma lá, e ele passa o conto tentando se reinventar e sofrendo com uma crise existencial. O conto em si vale bastante a pena, mas o resto do livro é um saco. São contos que simplesmente não te marcam, e que, mesmo que eu tenha lido, sequer lembro hoje para citar mais exemplos. Contou como uma leitura clássica, mas não gostei nem um pouco.

O Oceano no Fim do Caminho



Muito louco foi o post em que eu xinguei o livro, porque fui tão xingado de volta, tão apedrejado pela humanidade e tive minha vida como leitor tão questionada e julgada por gente que nem me conhecia, que foi uma experiência muito massa. De verdade. Acontece que eu não consegui gostar do livro mesmo, nem um pouco. E as pessoas não conseguem aceitar que alguém não goste do oh deus todo poderoso Neil Gaiman, então, obviamente, a culpa era inteiramente minha. 
Mesmo me sentindo meio ultrajado por conta disso, resolvi guardar o livro comigo, resistindo aos milhares pedidos de troca que chovem para mim no Skoob, e algum dia, no futuro, depois de ler mais algumas outras obras de Gaiman, pretendo reler e aí ver se eu continuo desgostando, ou se acabo vendo o livro com outros olhos.

The 100



The 100 foi um livro extremamente broxante, com o perdão da palavra. Eu ainda não sei exatamente o porquê de eu ter lido, porque eu nunca tinha me interessado de verdade, até um dia em que baixei o ebook aleatoriamente e falei "ah, vamos lá, né?". Acontece que, pela primeira vez na vida, preferi mil vezes a adaptação que fizeram sobre ele (no caso, a série). E mais incrível ainda: o motivo de eu ter preferido a adaptação é justamente o fato de ela ser completamente infiel à obra original, aproveitando só alguns dos personagens e a temática. Isso porque a temática é realmente legal, e eu gostei bastante, mas o aproveitamento que a autora dá é terrível e fica uma história que sai do nada, chega ao nada (com um romancezinho chatinho no meio) e acaba. Assim, é isso. 
Eu tinha uma leve curiosidade para saber como era a história "original", já que sempre ouvi falarem que, em quesito adaptação, a série era bem ruim. Pelo menos eu sei como é, e posso recomendar como um livro que você não precisa perder seu tempo pra ler. 

A Outra Volta do Parafuso

Esse livro foi do luxo ao lixo em questão de páginas (eu não o joguei no lixo mesmo, é só a expressão). Isso porque ele começa muito bem, com uma história instigante sobre uma mansão assombrada por dois fantasmas aparentemente terríveis. Essa foi uma das trocas que realizei no ano, e que foi muito massa pelo fato de eu ter trocado um livro que detestei por um que, adivinha, detestei também (mas pelo menos esse é clássico da literatura de terror, né).
Como eu disse, o início é realmente promissor, e a descrição das aparições é bem intensa e chega a te dar calafrios, sensação do terror que eu não imaginava que um livro conseguiria despertar. Acontece que, mesmo que a trama seja interessante, o livro desanda, e o final foi tão decepcionante que eclipsou qualquer ponto positivo no meio.

Bom, esses foram os livros mais "nhe" que eu li no ano, e que entraram para aquela listinha de "migo, não leia se você puder evitar" (talvez não O Oceano no Fim do Caminho, mas os outros, sem dúvidas). E vocês, de que livros menos gostaram no ano passado?

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

sábado, 2 de janeiro de 2016

Refletindo sobre 2015: os livros de que mais gostei


Oi migos, como vão?
Ontem, dia primeiro de janeiro, eu comecei uma série de posts que, como o próprio nome sugere, vai servir como uma reflexão sobre o ano passado, um balanço, uma retrospectiva. Hoje estou aqui para a segunda (de muitas) partes desta série, na qual falarei um pouco sobre os livros de que mais gostei no ano passado.
Li muitos livros bem mais-ou-menos, confesso, mas também li alguns que entraram para o hall da fama da minha vida. Mesmo que eles não representem uma quantidade muito significativa do meu total de leituras, o ano já pode ser considerado produtivo só por eles.
Vamos lá?

4. O Bicho-da-Seda

Se eu não gostei tanto quanto eu imaginava de O Chamado do Cuco, sua sequência me surpreendeu de uma forma tão boa, que se tornou um dos melhores do ano e, em questão de policiais, da vida. Ele segue contando a história de Cormoran Strike e de Robin, sua secretária/assistente/John Watson. É um livro espetacular, que mistura tão bem todo o mistério e o suspense das obras do gênero com um leve toque de humor e uma narrativa (tanto o enredo quanto a escrita) tão deliciosa que não há como não se apaixonar. E sei que o próximo livro de Robert Galbraith será lançado ainda neste ano, não posso perder.

3. O Iluminado


Já falei bastante sobre ele na resenha que fiz, no finalzinho do ano passado, mas tudo bem, eu falo mais um pouco: é um suspense incrível, incrível em níveis absurdos, e te prende de uma forma que nem todo livro consegue. Além disso, como ressaltei bastante na resenha, ele tem uma profundidade psicológica realmente... profunda, e supera todas as expectativas que o hype sobre o filme clássico de Kubrick causam.

2. E Não Sobrou Nenhum

Este é o único livro de Agatha Christie que li no ano (uma tristeza, porque gosto tanto das obras dela e estou lendo muito pouco nos últimos tempos), mas já chegou de voadora com os dois pés e se tornou o melhor que já li dela, e um dos melhores que já li em todos os tempos. Para quem ainda não conhece, ele conta a história de um grupo de pessoas que são convidadas para o que seria uma confraternização em uma ilha deserta, cujo único contato com o continente é feito por um pequeno barco. Tudo fica muito suspeito quando ouvem uma gravação, acusando-os de crimes que cometeram em seus passados e pelos quais saíram impunes, e mais suspeito ainda quando um a um, os convidados da ilha começam a morrer numa espécie de ritual inspirado em uma cantiga infantil. É de se descabelar, e definitivamente marcou meu ano, dentre todas as outras leituras.

1. O Retrato de Dorian Gray



A última leitura do ano, e o melhor que li, Dorian Gray já se tornou um dos meus favoritos da vida e me marcou de um jeito que não tem como explicar direito. A obra de Oscar Wilde nos conta a história de Dorian, um homem absurdamente bonito, que percebe que a beleza é, no final das contas, a única coisa que ele tem. Quando um amigo, que é artista, pinta um quadro tão perfeito inspirado no rapaz, ele acaba vendendo sua alma e fazendo um perigoso pedido: que apenas seu retrato sofresse com as marcas do tempo e as manchas em sua personalidade, mas que sua aparência física ficasse sempre intacta.
Com o tempo, ele descobre que seu pedido foi realmente atendido, e que o retrato era como um reflexo de sua alma. Acontece que, sob más influências, passa a manchar cada vez mais seu caráter, perdendo cada vez mais seus escrúpulos e, o pior, sua humanidade, notando cada uma dessas mudanças em seu próprio quadro. 
É espetacular, um adjetivo realmente grandioso, mas que não se torna exagerado quando nos referimos a Dorian Gray. Foi uma obra muito escandalosa na época em que foi lançado (em 1800 e pouco), por denunciar de forma nua e crua todos os podres da sociedade inglesa, algo que todos os aristocratas, em sua vida de aparências, se esforçavam para esconder.
Além disso, a profundidade do livro é absurda, e temos ideais e passagens com as quais nos identificamos tanto que chega a ser assustador, de tão atuais.
Eu sempre voltarei a falar sobre esta obra aqui no blog, porque acho que nunca será o suficiente, mas tudo o que me resta a dizer agora é que vocês precisam ler, assim, urgentemente!

Esses, então, foram os melhores livros que li no ano de 2015. De 30 leituras, tive algumas obras bem ruins pelo caminho (sobre as quais falarei mais... amanhã!), mas tive o prazer de conhecer essas histórias em específico que já fazem as três dezenas terem valido à pena! 
Que livros mais marcaram vocês em 2015?

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Refletindo sobre 2015: tudo o que eu li no ano!

OI MIGOS, que saudades de vocês!
Gostaria, primeiramente, de desejar a todos um feliz ano novo, com muita felicidade, amor, zoeira e muitas realizações!
Eu entrava no blog quase todos os dias pra dar uma olhada, mas acabava não postando nada, mesmo tendo uma enxurrada de posts prontinhos nos rascunhos. Mas eu pensei que, já que em 2015 fui bem negligente com este meu filho (no caso, o blog) de qualquer forma, preferi deixar para este novo ano, para já chegar atualizando lindamente e trazer de volta a empolgação que eu tinha em 2013, quando o criei.
Não postei muitas resenhas neste ano, mas isso não significa que eu não tenha lido tanto. Consegui chegar à minha meta para 2015 e li 30 livros (me superei, já que, em 2014, li 27). À partir de hoje, neste lindo primeiro de janeiro, começarei uma série de posts que servirão como um balanço do ano que se passou, falando um pouco sobre minhas leituras, as séries que descobri e tudo o mais. Eu posso estar um pouco atrasado, já que todo mundo que postou sobre assuntos assim já o fez bem antes, mas acredito que não poderia refletir definitivamente sobre o ano sem ele sequer ter acabado. 
Começando, falarei sobre todos os 30 livros que li em ordem cronológica, então, sim, isso vai ficar deveras grande (amo usar a palavra "deveras", vocês vão ter que me aguentar), mas vai ser legal. Vamos lá?

1. O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman



2. E Não Sobrou Nenhum - Agatha Christie



3. Mau Começo - Lemony Snicket



4. O Chamado do Cuco - Robert Galbraith



5. Mentirosos - E. Lockhart



6. Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick



7. Dom Casmurro - Machado de Assis



8. O Limiar - David Baldacci

9. O Fantasma de Canterville - Oscar Wilde



10. Comédias Para Se Ler na Escola - Luís Fernando Veríssimo



11. Persuasão - Jane Austen



12. A Sociedade do Anel - J. R. R. Tolkien



13. Objetos Cortantes - Gillian Flynn



14. Guerra Civil - Mark Millar



15. O Bicho-da-Seda - Robert Galbraith



16. A Playlisy de Hayden - Michelle Falkoff



17. Fahrenheit 451 - Ray Bradbury



18. O Cortiço - Aluísio Azevedo


19. A Outra Volta do Parafuso - Henry James


20. The 100 - Kass Morgan









21. Anjos e Demônios - Dan Brown



22. On the Road - Jack Kerouac



23. The Scorch Trials - James Dashner



24. Como Eu era Antes de Você - Jojo Moyes



25. Capitães da Areia - Jorge Amado



26. O Iluminado - Stephen King



27. A Sala dos Répteis - Lemony Snicket



28. Psicose - Robert Bloch




29. O Príncipe de Westeros e Outras Histórias - George R. R. Martin e Gardner Dozois



30. O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde



Como podem ver, eu li um pouco de tudo no ano passado. De clássicos da literatura mundial a young adults (bem ruinzinhos, por sinal, mas falarei sobre isso nos próximos posts da retrospectiva), de romances de fazer chorar a livros de comédias bem levinhos.
A maioria deles eu não resenhei porque, bem, eu estava bem largado com o blog mesmo, mas algumas delas virão neste ano! 
E vocês, o que leram de bom em 2015?

Espero que tenham gostado, e até amanhã, com mais um post da retrospectiva ;D

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vamos falar sobre: O Iluminado

Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre um dos livros que eu mais queria ler dentre todos os mais de cem da minha wishlist, que morou lá por muito tempo até que eu finalmente pude comprá-lo neste ano e que não só correspondeu como superou minhas expectativas: O Iluminado, de Stephen King.
A obra-prima do suspense/terror sobrenatural nos conta a história da família Torrance e a maneira como sua vida é afetada pelo grande hotel Overlook.
Jack, o pai da família, é um homem que já teve problemas sérios por conta de seu alcoolismo e mau temperamento e, na tentativa de superá-los, se muda com a esposa e o filho, Wendy e Danny, para o luxuoso hotel Overlook, para trabalhar como zelador. O estabelecimento se localiza nas montanhas em uma região de inverno rigoroso e, no período de neve, é quase impossível e nem um pouco recomendado chegar até ele. A função de Torrance seria cuidar do hotel neste período em que ele fica completamente vazio e isolado do resto do mundo, o que seria uma grande oportunidade para se afastar dos vícios e poder se concentrar em concluir a peça de teatro em que tanto trabalha. 
Acontece que o Overlook não é um simples hotel. Com um histórico nebuloso cercado de mortes e transações suspeitas entre membros da máfia, esconde diversos mistérios em cada um de seus quartos, e o espírito do hotel não descansará enquanto os seus novos moradores não estiverem mortos também, principalmente Danny, com certas habilidades que o tornam um Iluminado: o garoto pode ouvir os pensamentos dos outros, além de ter visões acerca do que já aconteceu e do que poderá acontecer. Trata-se de um imenso poder, poder este que o hotel quer obter a todo custo.



Uma das questões mais notáveis do livro e que não posso deixar de ressaltar já de cara é a imensa profundidade psicológica que traz, explorando com perfeição todos os personagens em seus mais íntimos pensamentos. E não só as características psicológicas são trabalhadas, mas os pensamentos que se passam em suas cabeças nos instantes mais importantes, conseguindo detalhar cada um de uma maneira que nunca vi em um livro. Nunca vi um narrador onisciente tão... onisciente. Cada lembrança descrita terá uma grande significação ao longo da história, cada pensamento pode ser levado em conta e é indispensável na transição emocional dos personagens.
A mais importante, sem dúvida, é a de Jack. Não é spoiler dizer que o hotel tentará usar o pai para conseguir botar as garras no filho (você certamente já viu a cena clássica em que ele aparece por trás de um buraco que fez na porta e diz "here's Johnny"). A maneira como o Overlook se apossa de Jack é brilhantemente descrita por King: todos os pensamentos conflitantes, todos os momentos em que você percebe o hotel tomando conta de quem Torrance era.
É também maravilhosa a maneira como Stephen consegue fazer tudo isso sem tornar a leitura maçante. Muitas vezes você se pega lendo várias e várias páginas apenas de pensamentos e lembranças, mas, o que poderia ser muito cansativo e deixar a leitura emperrada, na verdade passa de forma deliciosa sem você se incomodar.

O Overlook é a peça central e tão importante e presente na história que podemos colocá-lo como um personagem de fato, o quarto participante que está sempre lá, permeando a vida dos três Torrance enquanto as coisas vão de mal a pior.
A maneira como o sobrenatural é inserido no livro é espetacular, e temos desde cenas mais psicológicas do que visuais de fato a cenas que beiram o macabro, tão brilhantemente descritas.
Se, em outros livros, elogio a riqueza de detalhes físicos, neste é a riqueza de detalhes dos elementos abstratos que torna tudo sensacional, sendo um livro diferente de qualquer outro que você irá ler.  
Com toda essa tensão psicológica, é aquele tipo de obra que te arrepia aos poucos, e você se encontra tão dentro da cabeça dos personagens que é impossível não se afligir e se colocar em seus lugares. É tão recomendado mas tão recomendado que se torna quase obrigatório!

Espero que tenha gostado, até a próxima ;D

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Vamos falar (e talvez surtar um pouco) sobre A Esperança: o Final!



Oi, como vai?
Hoje estreia, depois de um ano, o tão aguardado A Esperança: o Final, conclusão épica da franquia iniciada em 2012 baseada nos livros de Suzanne Collins! Fui ontem à pré-estreia, com pessoas surtando na sessão e tudo o mais, e posso adiantar a todos que ainda não viram que o resultado ficou espetacular, assim, em níveis absurdos mesmo.
O longa dá continuidade e conclusão à saga de Katniss Everdeen, que se voluntariou para tomar o lugar da irmã mais nova nos Jogos Vorazes e, lá, por conta de sua personalidade um tanto incontrolável, tornou-se o símbolo da revolução para todos aqueles que viviam em condições desumanas no país, enquanto os habitantes da Capital viviam de luxo e desperdícios. 
No último longa, A Esperança: parte 1, Katniss finalmente conheceu o Distrito 13, que todos acreditavam ter sido completamente destruído pelas tropas da Capital depois de tentar se rebelar. Este filme foi criticado por conta de seu ritmo, as clássicas críticas acerta de qual é a necessidade de se dividir o último livro em dois. Não sei se é porque eu gosto tanto da saga a ponto de não conseguir ser imparcial ou se por outros motivos, mas eu adorei e, particularmente, não entendi o motivo de tamanhas reclamações. Mas, se já gostei tanto assim da parte 1, podem imaginar como me sinto com relação a esta parte final.
Neste, Katniss se encontra cada vez mais próxima de seu objetivo: matar o presidente Snow. Sendo o grande símbolo da revolução, ela conseguiu unir todos os Distritos contra a Capital sob o comando do Distrito 13 e sua líder, Alma Coin, e neste longa as tropas rebeldes finalmente marcham contra o centro do governo do país.
A questão é que Katniss começa a se sentir um tanto desconfiada acerca das intenções de Coin: se sentindo completamente usada pela líder e por Plutarch Heavensbee, antigo idealizador dos Jogos, e percebendo que ela não se mostra muito diferente de tudo aquilo que mais era criticado em Snow e que motivara toda a rebelião de fato, a protagonista deve tomar importantes decisões e aprender a não confiar completamente em ninguém.
Somado a isso temos um Peeta perturbado, depois de ter sido sequestrado e teleguiado pelos agentes da Capital para ser uma arma contra Katniss, e um Gale que se mostra cada vez mais ligado aos ideais do D13 e perdendo os escrúpulos quando o objetivo é atingir o governo. 



O longa começa de forma relativamente calma, mas em nenhum momento perde o climão de final épico de uma saga. 
Com a tensão crescendo continuamente ao longo de suas pouco mais de duas horas de duração, conseguiu me deixar com o coração prestes a sair pela boca mesmo já tendo lido o livro. Acho até que é por ter lido o livro que eu ficava tão nervoso assim: temos muitas mortes e outras cenas chocantes no filme, e só de saber que elas se aproximavam eu já ficava tenso.
Embora muitas pessoas tenham chorado, não sinto que foi um filme para se emocionar. Muitas coisas acontecem continuamente e você fica preso à poltrona, sem conseguir piscar ou parar para respirar calmamente, e a tensão é o que prevalece. 
Francis Lawrence, como sempre, não nos decepciona de forma alguma, e, mesmo que eu não me lembre do livro com detalhes, sei que as partes mais importantes e marcantes estão lá, representadas impecavelmente por alguém que claramente leu o livro e se preocupou com a história original (coisa que está tão em falta no cinema). 
Com cenas simbólicas e assustadoramente realistas, consegue chocar não somente como parte da história mas como algo que poderia (e muito provavelmente acontece) acontecer na vida real (como uma certa cena envolvendo criancinhas da Capital).
A conclusão de tudo é tão bem feita que arrepia, sendo fiel a tudo o que acontece no livro e não deixando pontas soltas (não que eu tenha percebido, pelo menos).
Com muito boas atuações, com destaque óbvio para a espetacular Jennifer Lawrence, que se destaca e consegue transmitir impecavelmente o sentimento de qualquer personagem que se proponha a interpretar, também rende elogios a Donald Sutherland e a rainha Julianne Moore, respectivamente Snow e Coin, além de Josh Hutcherson, lidando com todos os seus conflitos internos e sua mente bagunçada pela Capital. 
Mesmo que seja um filme relativamente longo, a história é tão bem distribuída e amarrada que passa muito rápido.
Por algum motivo, meu filme favorito da franquia continua sendo o segundo, Em Chamas, mas A Esperança: o Final dá um grandioso show e se tornou o meu segundo acirrado favorito.
Agora acabou de vez, depois de quatro anos e quatro incríveis filmes, e fico muito feliz e orgulhoso ao lembrar que fui em todas as estreias, desde o primeiro longa. Marcante, certamente deixará saudades e já se tornou insubstituível para todos os fãs! 
E vocês, já assistiram ou assistirão logo à conclusão da saga? E, se sim, o que acharam? 

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Vamos falar sobre: Como Eu Era Antes de Você



Oi, como vão?
Hoje estou aqui para falar sobre um dos últimos livros que li e um dos melhores romances que já conheci (não que eu leia muitos romances, mas este é realmente bom): Como Eu Era Antes de Você, de Jojo Moyes!
O livro nos conta a história de Louisa Clark, uma jovem de uma cidade pacata da Inglaterra que vive uma vida ainda mais pacata, se posso dizer. Ela trabalhou a vida toda em um estabelecimento da cidade, sem sequer fazer faculdade, e sempre viveu uma vida muito pequena, limitada e sem grandes aspirações: não se interessava por viagens, por aventuras, por novidades. Até que o lugar em que trabalhava fechou e Lou se viu desempregada, sem muitos atributos em um currículo que a garantissem um bom emprego depois disso. 
Depois de passar por estranhas experiências em busca de um novo emprego, Louisa se vê na casa dos Trainor, sendo contratada para trabalhar com um rapaz amargo que ficara tetraplégico depois de um acidente de moto. Assim ela conhece Will Trainor, que sempre foi seu completo oposto: aventureiro, gostava de estar constantemente conhecendo coisas novas e vivendo novas experiências, levando uma vida de sucesso com toda sua riqueza e beleza e uma linda namorada, além de um bom emprego.
Tudo em sua vida mudou depois que, em um dia chuvoso, foi atropelado por uma moto e perdeu praticamente todo o movimento do pescoço para baixo. Agora, preso à sua cama e a uma cadeira de rodas motorizada, abandonado pela ex-namorada e impossibilitado de praticar tudo aquilo que fazia com que sua vida fosse tão boa assim, tornou-se amargo e profundamente infeliz.
Em companhia do enfermeiro Nathan e sendo, de certa forma, sufocado pela mãe, Will resolve pôr um fim a tudo isso por meio da Dignitas, uma clínica de suicídio assistido (basicamente, eutanásia), onde muitas pessoas na mesma situação se reúnem às famílias e partem pacificamente, sem nenhuma dor, da maneira que bem entenderem.
Sua família, como era de se esperar, não aceita a ideia de forma alguma, mas resolve fazer um acordo: se, em dentro de seis meses, Will não encontrasse nada que lhe fizesse mudar de ideia, eles nada poderiam fazer a não ser acompanha-lo até a clínica onde ele finalmente cometeria suicídio. 
É aí que entra Louisa: com seu jeito extrovertido, a garota se torna a única esperança para fazer com que Will restaure sua vontade de viver, e ela se empenhará muito para que isso aconteça.



Esta é a história do livro lançado por Moyes que, sim, lembra, de certa forma, o filme francês Os Intocáveis. No longa (que, aliás, recomendo) um rapaz sem qualificação alguma acaba na função de cuidador de um milionário tetraplégico e, contrariando o que todos esperavam, se deu muito bem no trabalho e se tornou o melhor amigo do patrão.
No caso de Como Eu Era Antes de Você, tudo leva a um romance, é claro. Mas a maneira como a autora desenvolve a relação entre Lou e Will faz com que não seja um romance forçado, empurrado no leitor do início ao fim. Mesmo que seja o esperado, no final das contas, Moyes nos faz vibrar a cada avanço que a amizade dos dois toma, e, mesmo que a história de amor esteja sempre lá no fundinho, o que mais chama a atenção é a amizade incrível que constroem.
A maneira como um muda aos poucos a vida do outro é natural e muito gostosa de ser acompanhada, justificando o título do livro que, mesmo que pareça se referir a Will, na verdade representa toda a mudança que ele realiza em Clark. 
Se você, assim como eu, não suporta romances açucarados, não terá problema nenhum com esse livro. Não há momentos melosos, nem nas cenas mais românticas. Isso não quer dizer que seja seco, pelo contrário: é lindo, só que bem balanceado e, como já ressaltei, bastante natural.
A escrita de Jojo é uma delícia, e os personagens são muito carismáticos. Ao ler, você tem em mente o tempo todo que poderá sofrer muito no final, a possibilidade sempre lá, cada vez mais perto. E, mesmo que as evidências apontem para um dos lados, você torce o tempo todo para que uma reviravolta aconteça e tudo termine da forma mais bonita possível.
A adaptação do romance será lançada, creio eu, no ano que vem, protagonizada por ninguém menos que Emilia Clarke (a Daenerys, de Game of Thrones) como Louisa e Sam Claflin  (o Finnick, da saga Jogos Vorazes) como Will, e mal posso esperar! 
Mesmo que a premissa de uma pessoa espevitada ajudando um milionário tetraplégico amargo não seja das mais originais, o desenvolvimento dado é imperdível, e é um livro que recomendo muito!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

[ATUALIZADO] Divulgada caracterização de Eddie Redmayne em Animais Fantásticos e Onde Habitam!



Com as gravações já iniciadas e com os sets e diversas outras coisinhas sendo divulgadas aos poucos, Animais Fantásticos e Onde Habitam já está nos deixando muito ansiosos e só estreará em 26 de novembro de 2016!
Hoje foi divulgada pela Warner, por meio da Entertainment Weekly, a primeira imagem que traz a caracterização de Eddie Redmayne como Newt Scamander, o protagonista da nova história que se passará cerca de 70 anos antes dos eventos de Harry Potter. 
Veja só as imagens divulgadas

animais1

Com essa caracterização incrível, que faz Eddie se encaixar perfeitamente até mesmo no papel do próximo Doctor em Doctor Who, o longa (roteirizado, aliás, pela própria JK Rowling, e dirigido por David Yates, responsável pelos 4 últimos filmes da saga Harry Potter) nos contará as aventuras de Newt pelo mundo, visitando os lugares mais peculiares e enfrentando diversos perigos enquanto reúne informações para seu livro, Animais Fantásticos e Onde Habitam. 
Rowling afirmou que não se trata de um prequel ou uma sequência de Harry Potter, mas de uma extensão do mundo mágico apresentado na saga, que se passará em Nova York e, como já mencionado, 70 anos antes de o Menino Que Sobreviveu sobreviver. 
Estou muito ansioso pela produção! E vocês, o que acharam da caracterização de Eddie? 

Espero que tenham gostado, até a próxima ;)

Oi, voltei! Isso porque, passeando pela internet, encontrei mais imagens divulgadas do filme, que mostram ainda melhor a caracterização do resto do elenco e ainda algumas fotos dos sets de gravação. Vejam só! 

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Já conquistou o posto de um dos filmes mais aguardados de 2016, mal posso esperar!