quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Vamos falar sobre: Will & Will (Ou seria Tiny Cooper, Will e Will?)


Oi, como vai?
Acabei de terminar o livro "Will & Will: Um nome, um destino" e estou muito... decepcionado, infelizmente esta é a palavra certa. Calma, vou explicar o porquê.
Will & Will conta a história de dois garotos com o mesmo nome: Will Grayson. Um deles é escrito por John Green e o outro escrito por David Levithan. É fácil perceber qual Will é escrito por cada autor, já que o estilo da escrita é um tanto diferente. O Will de John Green é um garoto que, ao meu ver, é um personagem secundário em sua própria vida. Ele é amigo do garoto mais gordo e mais gay de toda a história. Não é nenhuma piadinha descrever Tiny Cooper assim, afinal o próprio John o descreve desta maneira. Tiny (pequenino, em inglês, uma ironia ao fato de ser enorme) é agitado, adora curtir a vida e se apaixona por um garoto por semana (em média). Sua nova peripécia é montar um musical em seu colégio contando sua história. O Will de David mora com a mãe, que se separou do pai (por algum motivo que NÃO FOI EXPLICADO DURANTE TODO O LIVRO), sofre de depressão e é apaixonado por um garoto que conheceu na internet, Isaac.
A história tinha tudo para ser ótima: dois ótimos autores escrevendo, uma temática completamente diferente (a de cada Will ser escrito por um autor) e a sinopse.
Mas aí também estão escondidos os problemas. Como são dois autores escrevendo, era preciso diferenciar um do outro. E como fazem isso? Retirando todas as letras maiúsculas dos capítulos de David. Isso não é nenhum problema na tradução, a edição original também é assim. Eu li uma teoria que diz o seguinte: o personagem, como falei há pouco, sofre de depressão. I, em inglês, significa "eu" e é escrito com letra maiúscula. segundo a teoria, Will se sente tão pequeno que não consegue escrever "eu" com uma letra maiúscula, portanto todas as suas letras foram retiradas. outra teoria diz que isso é uma alusão à linguagem usada na internet, onde ele passa a maior parte do seu tempo. 
de qualquer forma, isso me incomodou bastante, já que eu passava por alguns pontos finais como se fossem apenas vírgulas e perdia completamente o ritmo. além do mais, suas falas não são introduzidas por travessões, e sim pelo nome da pessoa que está falando como se fosse em um texto teatral.
Não sei se vocês perceberam, mas nos últimos parágrafos eu escrevi sem letras maiúsculas como no livro. Esse tipo de escrita me incomodou no início, até que eu passei a me acostumar com ela. Mas outras coisas dignas de muitas reclamações apareceram. 
O nome do livro é Will & Will, o que remete à ideia de que os dois Wills são um casal. Em inglês o nome é "Will Grayson, Will Grayson" que não contém nada de inglês e poderia muito bem não ter sido trocado. O livro é engraçado em algumas partes, e tem umas e outras falas muito boas que me fizeram pensar, mas são raros os momentos. 
Os Wills se encontram em um sex-shop. Não vou contar o porquê de estarem lá ao mesmo tempo e como chegam a se encontrar porque seria um grande spoiler de talvez a parte mais surpreendente e uma das únicas que eu realmente gostei no livro todo. 
Depois disso as coisas realmente começam a acontecer, e mesmo assim não são muito animadoras. Até agora não entendo porque "um nome, um destino" foi acrescentado ao título, afinal não há destino nenhum. 
Como coloquei no título do post, o nome do livro deveria ser "Tiny Cooper, Will e Will". O Will de John Green me incomodou por ser um personagem secundário em sua própria vida. Tudo está ligado ao Tiny, tudo o que já lhe aconteceu e o que ainda lhe acontecerá está ligado ao Tiny. E quando o Will de David se encontra com Tiny, passa a ser a mesma coisa. A história com os dois Wills apenas mascarou o fato de que o livro na verdade é sobre Tiny Cooper. O fato de terem o mesmo nome é praticamente insignificante, e eu achei que seria algo importantíssimo. Algo como os Wills se tornando melhores amigos e vivendo algumas coisas juntos. Mas não, tudo gira ao redor de Tiny. Ele é como um planeta, e os dois Wills apenas minúsculas luas que o orbitam. Nada mais que isso.
Além disso tudo, as cenas do livro seriam perfeitas para um filme, mas não para um livro. Tiny está organizando um musical, e o musical em si é descrito com uma pobreza de detalhes tão grande que não consegui imaginar muito sobre ele. Algumas vezes as letras das músicas que Tiny criou são citadas, mas nada mais que isso. Em um filme seria muito legal ver o que está acontecendo realmente e ouvir as músicas que estão sendo cantadas. A parte principal do livro, que deveria ser a melhor e a mais emocionante, não teve nada de mais. 
Como se não bastasse isso, o final propriamente dito, do qual esperei muita coisa, foi o pior de tudo. Porque simplesmente não acaba. Não segue para lugar nenhum. Dá um pause eterno na história.
Não foi um tempo totalmente perdido, porque me rendeu algumas risadas. Mas no final das contas sinto que não acrescentou nada em minha vida. Não aprendi nenhuma lição com o livro, nem fiquei triste por tê-lo terminado, muito menos estou com saudades dos personagens. É tudo muito contado. As cenas que poderiam ser as melhores, as mais emocionantes, são vagas. Como em um momento em que o Will de David liga para sua mãe e tem uma conversa com ela. Poderia ter sido uma linda cena, mas não tem fala alguma. O autor apenas resume o que ele disse à mãe ao telefone, o que ficaria bem melhor sendo escrito de verdade. É como se ele quisesse terminar o livro logo e fizesse essa cena de uma maneira precária, só pra que ficasse pronta. Não teve sentimento algum, passou em branco como, aliás, todo o resto do livro. 
Todos os raros conflitos que acontecem com os Wills são ofuscados por tudo o que acontece a Tiny, que é um personagem legal, mas que rouba a cena demais. Não sei se os autores queriam mesmo escrever um livro sobre Tiny ou acabaram se perdendo na construção das histórias dos Wills, mas está na cara que os protagonistas não são aqueles que dão nome ao livro. Seria o mesmo que a saga Harry Potter contar que Voldemort matou os pais de Hermione Granger e a ela fosse encarregada a missão de destruir as horcruxes e Harry fosse apenas um dos amigos que observa tudo. 
Nunca li nenhuma obra de David Levithan, mas sempre ouvi muitos elogios. John Green, por sua vez, já li e amei. É difícil acreditar que da união desses escritores, que prometia ser "épica", saiu... isso. O livro podia alcançar um patamar muito mais alto, mas não consegue. A história que se propôs a contar não contou direito. 

Se você gostou do livro ou não, se concorda ou discorda, coloque nos comentários (mas nada de xingamentos, ein?)!
Até a próxima ;D

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Então eu assisti City of Bones...





Oi, como vai?
Hoje eu vim falar um pouco sobre o filme City of Bones, adaptação do livro homônimo escrito por Cassandra Clare. É engraçado falar que é uma adaptação, já que muita coisa foi mudada. De início as mudanças não me incomodaram muito, mas depois elas se tornaram tantas que começaram a me deixar levemente incomodado. Não conseguiria fazer um post desses sem acabar dando alguns spoilers, então se você ainda não viu sugiro que leia outra hora (ou continue lendo, se você é desses que não se incomoda com spoilers, mas não diga que não avisei). 
O filme começa realmente fiel ao livro, tanto que eu fiquei entusiasmado e pensei "que filme lindo" já nos primeiros minutos. As cenas podem não estar na mesma ordem que no livro, mas estão lá (já é exigir demais querer as cenas impecavelmente idênticas às do livro). Os atores escolhidos para o elenco não são tão diferentes do que eu imaginei enquanto lia, o que gostei bastante. As atuações não são das melhores, mas não decepcionam em nenhum momento. Não poderia haver um ator melhor para Jace do que Jamie Campbell Bower. Ele é o ideal, tanto em aparência quanto em personalidade. Em alguns momentos me incomodou a sua falta de expressão, mas foi somente no início. Depois Jamie se acomodou no personagem, se acostumou com ele, e conseguiu fazer um ótimo trabalho. Aliás, isso aconteceu com todos os atores. Lily Collins como Clary também estava um pouco estranha no início, mas logo depois se soltou no personagem e conseguiu ser Clary, não apenas interpretá-la. E por falar em elenco, fiquei muito feliz (muito mesmo, quase pulei na cadeira do cinema) quando percebi que Jocelyn, a mãe de Clary, era interpretada por Lena Headey. Lena interpreta Cersei Lannister, uma das minhas personagens favoritas em Game of Thrones. Quando eu vi o trailer eu ainda não assistia à série, então não vi nada de diferente na personagem. Mas quando ela entrou em cena no filme eu fiquei muito feliz. É um desperdício uma atriz como ela passar o filme todo em repouso, mas sua participação foi muito boa. Fiquei feliz também por ter terminado de ler o segundo livro, Cidade das Cinzas, antes de ver o filme do primeiro, pois ele contém alguns spoilers. Nada demais, mas no filme já sabemos porque Jocelyn está desmaiada sem chances de acordar e a principal consequência da visita de Simon ao Hotel Dumort. 
Jocelyn é levada por Caçadores de Sombras que trabalham para Valentim e Clary conhece o mundo do qual sua mãe o privou por toda a vida. A cena em que Clary, Simon e Jace chegam ao Instituto e a personagem consegue enxergar o que há por trás da igreja velha e caindo aos pedaços que é visível para os mundanos é uma das melhores.
Os efeitos especiais são muito bons também, conseguem tornar tudo muito crível.

O filme é realmente muito bom, por isso resolvi das duas notas separadas: uma para o filme em si e outra para a adaptação que ele é. Como filme eu dou nota 9,5. Pela falta de expressão de Jamie e por uma cena no início, que reúne Simon, Clary e Jace na cozinha destruída de sua casa que parece que foi feita sem nenhum preparo para uma apresentação de escola (em que todos falam ao mesmo tempo, param, falam e param, tudo meio embolado, para depois seguir normalmente), não dei 10. Mas em todos os outros momentos consegui ficar preso ao filme, que transmite tudo o que Cassandra Clare quis passar com seu livro.
Como adaptação receio que terei de dar nota 7,0. O início foi realmente muito fiel, mas de repente começou a se distanciar da obra em que se baseou. Algumas mudanças vieram para o bem, como por exemplo o fato de Simon não se transformar em um rato. No livro isso fica legal, mas no filme ficaria extremamente bobo, infantil, não se encaixaria bem, portanto foi uma mudança bem-vinda. Mas algumas mudanças não foram tão bem-vindas assim. Jocelyn, mãe de Clary, está no Instituto, e não em um hospital abandonado em uma ilha distante. Também não temos os Renegados, apenas alguns soldados invocados por Valentim em uma cena envolvendo muitos corvos e demônios que saem de um portal que me lembra muito alguns filmes super clichês que misturam fantasia e elementos reais (quase todo filme assim tem uma cena em que um portal é feito em cima de um prédio ou algo do tipo e vai até o céu. As nuvens começam girar em volta desse portal e muitos seres saem de lá e começam a atacar as pessoas). Algumas coisas como mudança da ordem de cenas e a mudança da cor do cabelo de Valentim são irrelevantes, não interferiram em nada. Mas a mudança nos atos de Valentim sim. No livro ele trata Jace um tanto quanto bem, para que o filho passe para o seu lado. No filme eles lutam na biblioteca do Instituto, com Jocelyn dormindo em um sofá. Hodge não entrega o Cálice Mortal a Valentim, ele o entrega a carta em que o objeto está escondido e faz com que Clary o tire de lá. Lógico que ela arranja um jeito de enganar o vilão e o entrega uma réplica. Assim, o filme acaba com Valentim sem o Cálice e Clary com um dos Instrumentos Mortais ainda na carta. Cidade das Cinzas, segundo livro da série, começa com Valentim em busca do segundo Instrumento Mortal, a Espada da Alma, pois já possui o primeiro. A sequência já foi confirmada e as gravações começam ainda esse ano, mas não consigo imaginar como vão conseguir colocar o Cálice nas mãos do vilão de maneira plausível e ainda seguir com a história. Além do mais, Hodge não termina como um traidor. Ele não foge para aproveitar a liberdade. Hodge continua no Instituto e ajuda Isabelle e Simon com o portal. Isso deu um pouco mais de humanidade ao personagem, mas no segundo livro ele não aparece em nenhum momento e não sei como poderão tirá-lo de cena no filme também de uma maneira plausível e seguir com a história, ou mesmo deixá-lo lá, mas com uma participação muito pequena. Pelo visto vão continuar realizando mudanças e mais mudanças. 
Como falei há pouco, a ideia principal que Cassandra Clare queria passar com o livro foi passada com o filme, sem problemas. Quando os créditos finais começam ficamos realmente em dúvida se Clary e Jace são mesmo irmãos, como a autora nos fez ficar quando viramos a última página do livro, mas essas outras coisinhas acabaram me incomodando. 
Além do mais, o filme não anda muito bem nos números. City of Bones não arrecadou muito dinheiro, mas mesmo assim foi confirmada uma continuação. Isso se deve ao fato de que o filme estreou em uma das piores datas para se estrear. Em plena quarta-feira em uma semana de agosto, quando as pessoas estão voltando às escolas e aos trabalhos e não estão muito no pique de sair para curtir um cinema com a família. Primeiramente o filme estrearia numa sexta-feira, o que poderia ter aumentado as chances de sucesso, mas essa data foi antecipada. Por que não estrearam em uma sexta-feira no meio das férias de julho? Seria uma ótima data, em que muitas pessoas estão sem nada para fazer em casa e têm tempo de sobra para ver algo da divulgação do filme e pensar "uau, que legal, quero assistir". Como já falei em um post, a divulgação foi muito boa, mas infelizmente para um dia errado de estreia. Nós, fãs, não nos importaríamos em ir ao cinema para assistir em qualquer dia que lançasse, mas como é o primeiro filme precisaria atrair ainda mais fãs, coisa que não está fazendo tão bem. 
Só espero que City of Ashes consiga levar muito mais pessoas às salas de cinema do que City of Bones levou, e que esse primeiro filme ainda leve muitas pessoas aos cinemas enquanto não sai de cartaz. Segundo a produtora, o que definirá mesmo se a série irá para frente nas telonas é o sucesso do segundo filme, já que para eles uma bilheteria fraca do primeiro já era esperada. Por mais que tenham estragado um pouco da magia do livro com mudanças que os roteiristas devem ter julgado bobas essa série ainda tem muito potencial e deve, sim, seguir em frente. Nos resta torcer (e obrigar os amigos a irem até o cinema mais próximo para assistir também).
Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Vamos falar sobre: Cidade das Cinzas



*este post pode conter algum spoiler sobre o livro Cidade dos Ossos*

Recentemente terminei de ler Cidade das Cinzas, o segundo livro da série Os Instrumentos Mortais e posso dizer que é o melhor até então! Cidade dos Ossos é um livro muito bom, sim, mas esse segundo consegue ser ainda melhor. Com um ótimo ritmo, conseguiu prender minha atenção do início ao fim (não que o primeiro não o tenha feito, mas esse conseguiu me prender ainda mais). 
Valentim, que no final do primeiro livro consegue ficar com o Cálice Mortal, agora está em busca do segundo dos Instrumentos Mortais: a Espada da Alma. Essa espada é usada em julgamentos, por não permitir que o réu minta, e pode ser usada também para invocar demônios, o que mais interessa ao vilão. Para usar essa, digamos, habilidade da espada, Valentim tem que realizar um ritual usando sangue de quatro crianças do Submundo: um feiticeiro, um vampiro, um lobisomem e uma fada.
Enquanto isso, Jace sofre diversas injustiças no Instituto. Isso porque todos acreditam que ele está ao lado de sem recém descoberto pai, Valentim. Maryse Lightwood, mãe de Alec, Isabelle e Max, o coloca contra a parede, sempre fazendo perguntas e desconfiando de suas respostas. O garoto está cada vez mais... impossível, creio que seria a palavra certa. O jeito sarcástico, teimoso e inconsequente de Jace que não me incomodou no primeiro livro começou a me incomodar um pouco no segundo, mas logo percebi o porquê de tudo aquilo. Analisando psicologicamente o personagem (vamos fingir que sou Ph.D no assunto), podemos perceber que Jace está arrumando encrencas e sendo ríspido com todos a sua volta por causa de toda a pressão que caiu sobre seus ombros com a revelação de que Valentim é o seu pai. Todos passaram a desconfiar do rapaz, e a única maneira de relaxar e se esquecer por um tempo de tudo o que está acontecendo é matando demônios. Quando não há demônios para caçar, ele acaba indo para um bar frequentado por lobisomens apenas para brigar com eles, o que lhe daria mais momentos de ação e menos de preocupação sobre a opinião das pessoas ao seu redor. Além disso, vai a esse bar para poder chamar a atenção de Luke, um lobisomem, uma espécie de pai verdadeiro para Clary e que o entenderia como ninguém mais entende. Isso me fez ter pena de Jace. Mesmo quando está quebrado não quer deixar de lado a postura de "fodão", não quer admitir que é imperfeito como todo mundo.
Maryse chama a Inquisidora, personagem mais odiável de todo o livro cujo repertório de ameaças não é lá dos maiores (por duas vezes diz que Jace não está no inferno, mas que iria querer estar se fosse descoberto que estava mentindo para a Clave). Ela planeja usar a Espada da Alma para interrogar Jace, que fica na Cidade dos Ossos, lugar onde todos os Caçadores de Sombras são enterrados e onde moram os Irmãos do Silêncio, homens que têm os lábios costurados e falam diretamente nas mentes das pessoas. No primeiro livro Clary vai até lá para que os Irmãos a ajudem a recuperar sua memória, que foi bloqueada a pedido de sua mãe para que não soubesse antes da hora sua origem e seus poderes. Neste livro, vão até lá para deixar Jace preso em uma cela em uma das partes mais profundas e escuras do local. 
Enquanto Jace está preso, num breu total e cercado de pessoas há muito mortas em suas celas, Valentim organiza um ataque ao local em uma das melhores cenas do livro. O objetivo? Roubar a Espada da Alma. 
Como a espada poderia ser usada pela Inquisidora para acusar Jace, logo ligaram seu sumiço ao coitado, que foi ainda mais injustiçado.
Então estamos neste cenário: Valentim armando para invocar um exército de demônios que destruirão a Clave e Jace sendo acusado de crimes que nem cometeu. Em certos momentos passa pela nossa cabeça que ele pode estar mesmo envolvido com Valentim, o que achei uma estratégia muito boa da autora, Cassandra Clare. Nos fazer sentir pena do personagem injustiçado e depois nos fazer ficar com a pulga atrás da orelha: "e se ele estiver mesmo tramando ao lado do pai?"
Clary, em tese, é a protagonista do livro, mas de todos com maior destaque ela foi a que menos apareceu. Teve sim seus momentos de glória, mas não consigo vê-la como protagonista com tantos conflitos girando em torno de Jace. Em alguns momentos Clary chegou ainda a me irritar profundamente. Parece que ela sentiu que não estava participando como uma digna protagonista e decidiu querer participar de qualquer jeito.
"Posso ir lutar contra um demônio com vocês?" "Não, Clary" "Mas eu quero" "Você não tem armas" "Então me dê uma arma" "Mas é perigoso" "Mas eu quero".
Ok, não foi exatamente assim, mas enxugando o texto foi mais ou menos isso o que estava acontecendo. Simon é um personagem que ganha um destaque muito maior neste livro, em cenas surpreendentes (evitando dar maiores detalhes para não soltar spoilers). Eu passei a gostar mais dele do que de Clary. E a gostar mais de Alec e Isabelle do que de Clary. Passei a gostar mais de qualquer um do que de Clary. Ela, por ser a protagonista, deveria atrair a atenção para si própria naturalmente, mas fica uma coisa meio forçada. 
Conhecemos neste livro diversos personagens novos, como a Inquisidora e papai e mamãe Lightwood já citados, e também Maia, uma licantrope, e a rainha da corte Seelie, uma fada. 
Como disse lá em cima, é um livro ótimo, o melhor até então. Os personagens são muito bem construídos e as famílias da história bem estruturadas. Morgenstern, Lightwood, Herondale, entre muitas outras, todas elas têm uma história própria, não são apenas citadas.
Cassandra Clare continua a série muito bem, e estou muito ansioso para ler o próximo volume, Cidade de Vidro (eu o vejo na minha estante, pego, me lembro que tenho outros livros para terminar e o volto em seu lugar. Mas logo logo eu leio, minha ansiedade não vai me permitir demorar muito para ler). 
Espero que tenham gostado, até a próxima ;D