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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Vamos falar sobre: Zumbis X Unicórnios


Oi, como vai?
 
Primeiramente quero falar sobre uma novidade aqui no blog. Sempre que falo sobre livros, acabo fazendo uma edição com a imagem da capa, mas agora resolvi fazer diferente. Deste post em diante, todas as resenhas serão ilustradas com fotos que eu mesmo tirarei dos livros. Como as fotos serão tiradas e editadas por mim, se for reproduzi-las dê os devidos créditos, ein?

Dado o recado, vamos ao que realmente interessa... quem são os melhores: zumbis ou unicórnios?
Esse tema "polêmico" acabou gerando uma discussão entre as autoras Holly Black e Justine Lerbalestier, que resolveram chamar um grupo de escritores, cada um escrevendo um conto em defesa de um dos lados. Assim surgem os dois times: o Time Zumbi, liderado por Justine Lerbalestier, conta com Libba Bray, Alaya Dawn Johnson, Cassandra Clare, Maureen Johnson, Scott Westerfeld e Carrie Ryan. O Time Unicórnio, liderado por Holly Black, conta com Kathleen Duey, Meg Cabot, Garth Nix, Margo Lanagan, Naomi Novik e Diana Peterfreund.
Entre os doze escritores, temos alguns menos conhecidos (mas que mereciam mais destaque pelo ótimo trabalho que fizeram) e uns muito conhecidos, mas que acabam decepcionando.
Uma das coisas mais legais do livro é a introdução de cada conto, no qual a líder do time dá uma breve explicação e defende o seu lado e a líder do time rival faz críticas. As discussões são muito engraçadas, e os argumentos de Justine, líder do Time Zumbi, são bem mais legais.
Alternadamente, temos um conto sobre unicórnios e um conto sobre zumbis, cada um sinalizado com o ícone do time para que não haja confusões. De todos os escritores presentes no livro, os únicos que eu já havia lido eram Cassandra Clare e Scott Westerfeld. O conto de Scott, embora não seja o melhor do livro, é muito bom, e eu adorei. Mas o de Cassandra...
Se há uma coisa que me irrita em Clare é o fato de que ela só anda escrevendo sobre Shadowhunters (nas séries Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais). Sim, é uma temática muito legal, e sempre há alguma história para contar, mas o assunto já foi muito explorado e ela continua escrevendo sobre eles. Ainda não li (mas quero muito) As Peças Infernais, mas todos que leram concordam que há uma evolução da escrita da autora desde Os Instrumentos Mortais, então o prequel foi algo bom em sua carreira. Mas foi anunciada uma nova série de Cassandra, e adivinhem só o tema: Shadowhunters, todos por volta de 17 anos, acontecendo no passado, e novidade!! mais um triângulo amoroso. No início estava indo muito bem, obrigado, mas agora é como se Clare só soubesse escrever sobre isso e explorasse o assunto ao máximo pelo simples fato de estar dando dinheiro, algo que critico muito em Rick Riordan e falei sobre no post Rick Riordan e autores que escrevem por dinheiro. Não me surpreenderá se, após o fim dessa nova série, ela anuncie mais uma série inovadora com caçadores de sombras adolescentes e triângulos amorosos. Mas por que eu disse tudo isso em um post sobre zumbis ou unicórnios? Para falar sobre seu conto. Nele, Cassandra narra a história de uma cidade em que um feiticeiro certo dia ressuscitou os mortos para determinado uso, e depois que sua utilidade acabou os deixou vagando pela cidade, deixando uma maldição que impede que os mortos morram de verdade. A premissa é legal, e a crítica contida também é boa. Mas é mal desenvolvido, mal escrito, com personagens que não atraem, reforçando a minha ideia de que é bom Cassandra continuar escrevendo sobre Shadowhunters mesmo ou acabará falida.
Críticas de lado, vamos falar sobre meus contos favoritos. De doze, dois são os que mais gostei. Isso não significa que os outros sejam ruins, mas alguns acabam passando em branco e outros sendo cansativos (e outros acabam sendo ruins mesmo).

Em todas as resenhas que li, as pessoas não conseguiam se decidir entre zumbis ou unicórnios, e pensei que seria uma escolha realmente difícil. Mas consegui me decidir facilmente... zumbis são os melhores!
Os meus contos favoritos são Buganvílias, de Carrie Ryan, e As Crianças da Revolução, de Maureen Johnson. Ambos de escritoras que eu não conhecia, mas que adorei e quero conhecer melhor o trabalho. E ambos de zumbis. O primeiro narra um verdadeiro apocalipse zumbi. Pessoas se concentram em uma ilha, em meio a várias cercas de proteção, que certo dia são rompidas. A história segue a filha do governador desta ilha, e conseguiu envolver o leitor tão rapidamente que fica difícil não se sentir angustiado e não pensar que não há para onde correr, que tudo está perdido. É realmente de tirar o fôlego.
E em segundo, mas não menos importante, o conto de Maureen Johnson narra a história de uma garota que foi com o namorado para uma fazenda distante pensando ser o lugar perfeito para se viver, mas que descobre ser um lugar horrível e é abandonada lá pelo garoto. Com o tempo, conhece um homem que a leva para trabalhar como babá na casa de uma atriz famosa que tem muitos filhos adotivos (embora não tenha nenhuma referência maior, não consegui não pensar em Angelina Jolie). A garota percebe que as crianças são estranhas, e tratadas de maneira mais estranha ainda, e o desenrolar dessa história é imperdível!
O conto de Carrie, mais tenso, e o de Maureen, mais bem humorado, por si só fazem o livro valer a pena, e são os únicos que penso em voltar a ler mais para frente.
Os contos de unicórnios não são ruins, mas até os piores de zumbis acabam sendo mais legais.
E sobre a edição do livro... ela é muito linda! Tanto pela capa, quanto por alguns desenhos dentro, é definitivamente o livro mais lindo que tenho em minha estante. A edição americana é em capa dura e conta com uma jacket preta com as silhuetas de um unicórnio e um zumbi, mas a Galera Record fez realmente um bom trabalho e o livro, além de ter um conteúdo muito bom, é maravilhoso visualmente.

Pode não ser o livro mais útil que você lerá na sua vida, mas é muito divertido e você sem dúvida encontrará ótimas histórias e descobrirá escritores maravilhosos. Recomendo!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

domingo, 24 de novembro de 2013

Vamos falar sobre: Perfeitos



-este post contém spoilers do primeiro livro da série, Feios-

Oi, como vai?
Hoje eu vim falar sobre Perfeitos, de Scott Westerfeld, o segundo volume da trilogia (que acabou ganhando um livro extra, ironicamente chamado Extras) iniciada por Feios
Ele segue contando a história de Tally Youngblood, que se tornou perfeita para testar a cura criada por Maddy. Foi provado que a cirurgia que torna todos perfeitos aos 16 anos não mexe só na aparência, mas também faz mudanças no cérebro dos adolescentes para que pensem da maneira desejada pelos Especiais, um grupo de "super" perfeitos que entram em ação quando coisas mais sérias acontecem. Maddy, cirurgiã, descobriu, com seu finado marido Az, uma cura para essa cirurgia, e coube a Tally se voluntariar para testa-la. E para isso teria de se tornar perfeita, algo que ela desejara por toda a vida e que agora evita ao máximo. 
O livro começa com a aceitação de Tally nos Crims, um grupo de perfeitos que foram aventureiros em sua época de feios e que prometem trazer aventuras ainda maiores nessa nova fase de suas vidas. 
O grupo tenta a todo momento ser "borbulhante", expressão que no início irrita bastante. Ela se refere a um estado de adrenalina, de animação extrema, algo que sentem quando quebram regras ou algo do tipo.
Tally conhece Zane, o líder dos Crims, que se apaixona por ela instantaneamente (quem não cai nas graças da protagonista?). Na mesma festa em que os dois se conhecem, Croy, um dos habitantes da Fumaça, a entrega os comprimidos que contém a possível cura e também uma carta escrita por ela, na qual explica toda a situação para sua nova eu perfeita, que, por causa das lesões, não se lembraria de nada. 
Ela e Zane encontram os dois comprimidos, que deveriam ser tomados juntos por apenas uma pessoa, e os dividem, um para cada um. E a cura vai acontecendo. As lesões vão sumindo e eles vão deixando de exercer o papel de perfeitos que o governo queria que exercessem. Mas enquanto Tally segue feliz da vida, Zane sofre com dores de cabeça cada vez mais fortes, que podem apenas ser resolvidos por quem projetou a cura. 
Como todos os Crims adoram se aventurar e desafiar as regras, resolvem fugir juntos para a Nova Fumaça, reconstruída em outro lugar com os antigos moradores que restaram. 
É um livro legal? Sim, muito. Mas é um livro bom? Não.
Há diferença entre um livro bom e um livro legal. Um livro bom é aquele tecnicamente bom, com falas inteligentes, uma história bem construída e embasada, personagens bem formados. E um livro legal é aquele com uma história legal, que nos deixa presos. Eu terminei esse livro em muito pouco tempo, mas no fim fiquei um tanto decepcionado. Vou ler os próximos livros, claro, mas este deixou a desejar. Isso porque, no final das contas, o final não difere muito do primeiro livro, e tudo o que foi feito durante as 380 não adiantou de absolutamente nada. O terceiro livro, Especiais, provavelmente é melhor porque apresenta o desfecho da história, mas este segundo foi... inútil. 
Ao invés de deixar um gostinho de quero mais, que Scott Westerfeld quer praticamente te obrigar a sentir, não me deixou... nada. Não é um livro que marca. Mesmo com toda a crítica aos padrões de beleza e à manipulação das pessoas por meio do governo, não é um livro que vai te fazer pensar. Além de não explicar bem como a cura vai acontecendo naqueles que não tomaram os comprimidos, dá mais importância para o romance adolescente do que para a distopia em si. É simplesmente... entretenimento. Aquele que você lê quando não tem mais nada para fazer. 
Vou continuar a ler a série, claro, mas o resultado de Perfeitos foi desanimador.

P.S. Estou testando efeitos para usar nas imagens, para deixar os posts mais bonitos, o que acharam? 

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vamos falar sobre: Feios


Imagine uma cidade dividida entre as pessoas bonitas e as feias. A única obrigação das pessoas bonitas é se divertir sem parar, enquanto as feias vivem num canto sem nenhum glamour apenas aguardando o momento de se tornarem bonitas.
É mais ou menos essa a premissa da série distópica Feios. Tally Youngblood é uma garota que sonha com o aniversário de 16 anos, idade em que todas as pessoas passam por uma cirurgia em que se tornam perfeitas e vão viver do lado colorido e divertido da cidade. Seu amigo Peris havia ido pra Nova Perfeição depois da cirurgia do dia de seu aniversário, deixando Tally praticamente sozinha em Vila Feia. Nesse meio tempo ela conhece Shay, uma garota que faz aniversário no mesmo dia que ela e que, ao contrário de Tally, não está nem um pouco ansiosa pela cirurgia. Ela quer viver na Fumaça, uma comunidade em um lugar distante onde as pessoas vivem feias para sempre, mas com uma rotina não fútil e sem se preocupar com beleza ou glamour. E Shay consegue sim fugir para esse lugar, o que acaba gerando problemas para Tally. 
A garota é levada pelos membros da Divisão de Circunstâncias Especiais, um grupo de perfeitos cruéis "moldados" para serem indestrutíveis, onde se encontra com Dra. Cable, uma Especial que lhe faz a seguinte proposta: "ou você nos ajuda a encontrar a comunidade onde Shay está vivendo, ou você nunca se tornará perfeita". 
Tally agora tem que se decidir entre realizar seu maior sonho e se encontrar com seu amigo do lado colorido da força (sobre o qual vem descobrindo coisas não tão boas) ou trair sua amiga e todas as pessoas da comunidade, a quem ela começa a se apegar.
Não vou dar mais detalhes para não estragar a leitura de ninguém, mas os desdobramentos da trama são surpreendentes! Os personagens podem não ser os mais carismáticos (Tally, no início, me irritou com suas discussões sobre como se tornar perfeita era o melhor caminho a ser seguido), mas a história é ótima e me deixou realmente preso ao livro. O que ajuda bastante também é o tamanho dos capítulos. Como eles são bem curtos, de "só mais um capítulo, é curtinho" em "é curtinho, só mais um e eu vou dormir", quando percebi tinha lido mais de 100 páginas só no primeiro dia. 
E além de toda a trama, temos uma bela de uma crítica social aos padrões de beleza e ao controle que o governo exerce sobre a população. São usados moldes perfeitos para os corpos e mentes das pessoas, o que faz com que percam sua identidade e originalidade para se tornarem um bando de pessoas lindas, porém sem nada de mais, que são praticamente obrigadas a se divertir. Até onde isso é uma coisa boa?
É uma distopia excelente. Em alguns momentos a caracterização da cidade futurística se torna um pouco clichê, com carros voadores, pranchas que voam e tudo o mais, mas tudo se encaixa muito bem no contexto e dá um toque a mais para a história.
Para quem gostou de Jogos Vorazes e/ou Divergente, esse livro é mais do que recomendado. E para quem deseja embarcar no gênero de distopias também.
Não é uma leitura que lhe tomará muito tempo e queimará muitos neurônios, mas te apresentará uma ótima trama, com uma narrativa ágil e surpresas a cada capítulo. Sem contar que te deixará com um gostinho louco de quero mais para a sequência, Perfeitos, que promete ser ainda melhor!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D