quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Vamos falar sobre: Quem é você, Alasca?

Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar um pouco sobre o livro Quem é você, Alasca?, o primeiro que li de John Green depois do trauma com Will & Will. Do autor, também já li A Culpa é das Estrelas (difícil encontrar hoje em dia alguém que não tenha lido), e pra mim continua o melhor.
Quem é você, Alasca? conta a história de Miles Halter, um garoto meio excluído que "coleciona" últimas palavras e sonha com um Grande Talvez, o que encontra em Culver Creek, um colégio interno, onde seu pai também estudou na juventude. 
Lá ele conhece Coronel (seu verdadeiro nome é Chip, mas Coronel fica muito melhor), seu companheiro de quarto, Takumi, Lara e principalmente Alasca. 
Alasca é uma garota intrigante, misteriosa, impulsiva, que passou a vida percorrendo vendas de garagem procurando livros para montar a biblioteca da sua vida e que tem uma criatividade invejável para trotes. Mas não, esta não é a verdadeira resposta para a pergunta que o título do livro traz. 
Não consigo falar minha opinião sobre o livro sem dar spoilers, então se você ainda não leu sugiro que leia este post outra hora.
O livro é narrado em primeira pessoa por Miles, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Bom, porque o personagem é carismático. Aliás, este é um dos dons de John Green. Ele consegue criar personagens realmente carismáticos, e não tem como não nos envolvermos com eles e suas histórias. Mas ruim, porque perdemos muitos detalhes.
A paixão de Miles por Alasca foi praticamente à primeira vista, mesmo ela tendo um namorado. Mas não sabemos se ela retribui esse amor. Aliás, no fim das contas não sabemos praticamente nada. 
A escrita de John Green, por mais que não seja tão detalhada (em um livro em primeira pessoa, detalhes demais acabariam atrapalhando o caminhar da história) consegue te prender e te aproximar mais da história. Podemos não saber perfeitamente o lugar em que algo está acontecendo, mas sabemos o que Miles está sentindo com o que está acontecendo, o que é muito bom. As dúvidas que os personagens têm nós também temos, o que pode ser a grande sacada do livro, mas para mim foi um grande defeito.
Os capítulos do livro são nomeados com o número de dias que restam para... alguma coisa. Como falei, esta resenha contém spoilers, então esta é a sua última chance de sair sem nenhum detalhe do livro. 
O livro é como uma contagem regressiva para a morte de Alasca. Tudo o que eles vivem juntos praticamente leva a isso. Isso foi um dos pontos positivos do livro. John Green nos faz nos afeiçoarmos a Alasca para depois leva-la, o que dá um toque de tristeza e mostra perfeitamente o impacto que uma vida tem sobre as outras. Todos ficam arrasados e de certo modo se sentem culpados. Depois de passar a noite beijando Miles, ela sai para falar ao telefone, volta transtornada e pede ajuda para ir embora. E além de muito nervosa, Alasca estava muito bêbada. Miles e Coronel nada podem fazer para segura-la e acabam por deixa-la ir. Nesta mesma noite ela morre em um acidente de carro, se chocando com uma viatura (com todas as luzes acesas) em alta velocidade.
Aí fica a dúvida: foi realmente um acidente, ou Alasca cometeu suicídio?
A história da garota é muito interessante. Quando era criança, sua mãe morreu ao seu lado porque ela hesitou demais em pedir ajuda. Agora ela é impulsiva demais e não hesita pra nada.
Eis que Miles e Coronel iniciam uma investigação, a fim de saber o que realmente aconteceu com a garota. Isso me animou bastante, porque a cena do velório de Alasca não foi tão emocionante quanto eu imaginava e esperava algo ainda maior. Como a garota fora misteriosa em sua vida, seus amigos agora buscavam a resposta para "Quem é você, Alasca?" por meio de outras pessoas. E Miles, afinal, teve seu Grande Talvez. Talvez ela tenha se matado. Talvez tenha sofrido um acidente. Se os dois tivessem se esforçado mais para mante-la no dormitório, talvez ela poderia ter desistido de sair e não teria morrido. 
A busca por respostas seria uma das melhores coisas do livro. Além de tudo isso, temos uma pergunta que Alasca fez (que na verdade foram as últimas palavras de Simón Bolívar) que dizia "Droga, como sairei deste labirinto?". O labirinto seria a vida ou a morte? O sofrimento que teve em vida ou a morte?
Mais uma coisa que nunca vamos saber. Isso porque John Green simplesmente se perde um pouco no final do livro. A investigação de Coronel e Miles, algo que me estimulou muito na leitura do livro, simplesmente é abandonada. Sim, não haveria como descobrir o que realmente aconteceu naquela noite, mas abandonar a investigação depois de encher a cabeça do leitor com tantas perguntas não foi nada legal. E o final do livro, quando o professor de religião pede para que cada aluno responda à pergunta do labirinto em um trabalho e sinto que finalmente vou saber o que Miles responderia, ele começa a encher o trabalho com um texto sobre Alasca, sua morte e sobre para onde as pessoas hipoteticamente vão após suas mortes, mas nada de uma resposta verdadeira. 
A pergunta é algo realmente pessoal, portanto esperei para saber o que Miles responderia, como o significado pra ele deste labirinto ou como sair dele, mas foi apenas um ensaio sobre morte em geral. Não nos respondeu nada.
É um livro cheio de filosofia e falas bonitas, personagens carismáticos e uma boa história, mas John Green se perde e ficou a impressão de que ele não conseguia responder às perguntas que ele mesmo tinha feito, então acabou deixando de lado e finalizado com mais falas bonitas para preencher as lacunas. 
De 0 à 5, não consigo dar uma nota maior do que 3, por todas as decepções. 
É difícil começar um livro com expectativas demais, pois ou ele é sensacional e supera todas, ou ele deixa muito a desejar, como foi o caso deste. Ficou a sensação de que ele não tem um objetivo de verdade. Apenas acontece, sem nada de sensacional. Garante boas risadas e reflexões, mas não consegue marcar de verdade, como acontece com A Culpa é das Estrelas, no qual John encantou do início ao fim. 

Até a próxima ;D

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

American Horror Story Asylum: bem vindo à Briarcliff



Oi, como vai?
Hoje eu vim falar um pouco sobre American Horror Story Asylum, a segunda temporada da sensacional série de terror que de um episódio pra outro se tornou uma das minhas favoritas. A primeira temporada, Murder House, conta a história da família Harmon, que se mudou para uma casa onde é assombrada pelos espíritos dos antigos moradores, que morreram lá. Foi uma boa temporada? Sim. Mas nada se compara à Asylum. 
Esta temporada conta a história de Briarcliff, um manicômio controlado por freiras, onde os internos sofrem maus tratos e tratamentos pra lá de suspeitos. De um lado, a religião. De outro, a ciência. Ambos acabando com a vida das pessoas. 
A freira Sister Jude, interpretada pela melhor atriz de séries que eu já vi na vida Jessica Lange, comanda Briarcliff e aprova todos esses tratamentos suspeitos, medicamentos fortíssimos e tortura aos pacientes. Quando a repórter Lana Winters descobre as barbaridades que se passam no local e resolve denuncia-las, acaba sendo internada por Jude por ser lésbica, o que na época era considerado uma doença. 
Mary Eunice é a freira mais pura e correta do manicômio. Ou melhor, era até o diabo, que estava no corpo de um paciente, ser exorcizado e entrar no seu corpo. 
Dr. Arden é um médico ex nazista, que não acredita em religião nenhuma mas acaba com a vida dos pacientes em nome da ciência. Ele faz experimentos que, em teoria, melhorariam a vida das pessoas e as tornariam imunes à radiação no caso de uma guerra nuclear. 
Dr Thredson é um psiquiatra, que vai até Briarcliff temporariamente para ajudar alguns pacientes. Aparentemente, é o único personagem correto da série. Aparentemente...
Kit Walker é um rapaz que é preso em Briarcliff acusado de ser o maníaco Bloody Face, que mata mulheres e depois arranca suas peles. Ele não é este maníaco, mas vai preso acusado de matar todas essas mulheres e ainda sua esposa, Alma, que na verdade foi abduzida por alienígenas. 
Essa, pra mim, é a única parte em que a história se perde um pouco. A questão dos alienígenas ficou algo meio deslocado de todo o resto. No final das contas eles acabam se tornando importantes e tudo se encaixa, mas de início fica estranho. 
Vários atores da primeira temporada estão presentes nesta, como Jessica Lange, Evan Peters, Sarah Paulson e Lily Rabe, por exemplo, em personagens completamente diferentes e complexos que mostram o quão bons atores eles são. São personagens cujo humor vive oscilando, e eles não deixam a desejar em nenhum momento. 
Uma atuação que merece todos os elogios é a de Lily Rabe, que consegue transmitir toda a "batalha" que ocorre dentro de seu corpo, lutando contra o diabo. Em alguns momentos ela é provocante, arrogante, maldosa, e em outros é apenas uma garota indefesa que chora por não conseguir resistir ao mal dentro dela.
Sarah Paulson, que não teve tanto destaque na primeira temporada, nesta temporada deu um show de atuação e mostrou a que veio. 
Ao contrário da primeira temporada, em que a história acontecia no presente e eram mostrados alguns flashbacks do passado, nesta a história ocorre no passado, quando Briarcliff ainda funcionava, e algumas poucas cenas vão sendo mostradas hoje em dia, quando Briarcliff já está desativado e em ruínas. 
A história começa com um casal (o homem interpretado por Adam Levine, vocalista da banda Maroon 5 que fez todos aqueles que reclamaram de sua escalação para o elenco queimarem a língua) indo até as ruínas do manicômio passar a lua de mel. Até que são surpreendidos por um Bloody Face. Demoramos um pouco para descobrir quem é esse novo maníaco e a sua ligação com os personagens dos anos 60, e quando descobrimos é um tanto chocante.
É definitivamente melhor e mais assustador do que a primeira temporada. Além do mais, a história é mais madura, e o horror consiste mais nas coisas terríveis pelas quais os internos de Briarcliff passam e das maldades de Bloody Face do que de coisas místicas como espíritos ou coisas do tipo.
Como a tendência é melhorar, mal posso esperar para ver a terceira temporada, Coven, que estreia no dia 9, esta quarta-feira. Ela contará a história de bruxas, e a cada promo (que, como é de praxe, não dá detalhe algum sobre a história, mas consegue te deixar com um friozinho na barriga) fico mais ansioso.
Com atuações impecáveis, uma maquiagem terrível (no bom sentido, pois são realistas demais e chegam a espantar) e ótimos cenários, consegue te prender de uma tal maneira (cheguei a ver oito episódios sem parar) que você não consegue simplesmente largar, parar, sem saber o que acontecerá em seguida. 
Se você não gostou muito da primeira temporada, ou simplesmente não se interessa muito pela série em si, dê uma chance. Vale muito a pena. Não é um terror de tirar o sono, mas é algo que assusta e impressiona.  E com uma história sensacional. Nota dez.

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

sábado, 5 de outubro de 2013

Vamos falar sobre: Tormenta de Espadas


"Recomendo que desconfie de todos nas terras de Westeros, a não ser, é claro, de sua espada... Isso se estiver com plena certeza de que ela esteja em manejo por suas mãos... Proteja-se, pois no Jogo dos Tronos é cada um por si."
É com esta declaração de Fernando Valdiones, usuário de O Livreiro, que está presente na orelha (gigante) do livro, que começo a falar sobre Tormenta de Espadas, o meu livro favorito (até então) da minha série favorita de toda a vida (difícil tirar esse posto). Este terceiro livro é o com mais intrigas, reviravoltas e revelações inesperadas. 
O prólogo deste livro é sobre os guerreiros da Patrulha da Noite que estavam acampados no Punho dos Primeiros Homens, pra lá da Muralha, que são atacados pelos selvagens no meio da noite. George, como sempre, descreve tudo nos mínimos detalhes, o que traz a história para uma nova dimensão: como já falei nas resenhas de Guerra dos Tronos e Fúria dos Reis, não me sinto apenas lendo e sim no meio das cenas, olhando para os cantos e observando tudo a minha volta. Se formos olhar As Crônicas de Gelo e Fogo como um jogo de xadrez, no primeiro livro George nos apresenta as peças, no segundo as dispõe no tabuleiro e neste terceiro começa a jogar de verdade, levando algumas peças para lados inesperados no tabuleiro, descartando outras, dispondo novas e resgatando algumas que estavam do lado de fora. 
Vamos por partes:
Jon Snow, que no final de Fúria dos Reis se junta aos selvagens, agora convive com um dilema: quebra seus votos para a Patrulha e fica do lado dos selvagens, ou volta para a Muralha sob o risco de ser considerado vira-casaca e abandona Ygritte, que conheceu no meio dos selvagens e por quem se apaixonou? Neste livro os selvagens finalmente chegam até a Muralha, em cenas épicas de batalhas, mortes e mais surpresas.
Bran, que saiu de uma Winterfell completamente destruída, agora viaja ainda mais para o norte (no caminho contrário aos selvagens) para encontrar um corvo de três olhos, que lhe ensinará a "voar". Bran é a única reclamação que eu tenho a fazer. Ele é um personagem importantíssimo, sim, mas seus capítulos são sempre tão chatos. E quando eles finalmente ficam legais, acabam. Ele geralmente conta histórias do norte, que sua velha ama lhe contava, e muitas vezes dá uns detalhes importantes, mas no fim das contas todos os seus capítulos são de dar sono. 
Daenerys Targaryen, uma das minhas personagens favoritas e que perdeu um pouco o destaque em Fúria dos Reis, vem marchando rumo a Westeros, conquistando cidades e exércitos pelo caminho. Seus capítulos, ao contrário dos de Bran, são sempre dos melhores, com descobertas sobre as pessoas que estão a sua volta (inclusive algumas revelações sobre seu companheiro Jorah Mormont), estratégias e mais batalhas. 
Tyrion começa o livro se recuperando de um ferimento que quase o matou na batalha da Água Negra, e quando se recupera percebe que muitas coisas mudaram enquanto estava enfermo na torre do castelo. Tywin, seu pai, assumiu agora a função de Mão do Rei e Tyrion se tornou o novo mestre da moeda, enquanto Mindinho foi mandado para o Ninho da Águia para se casar com Lysa e trazer a força dos Arryn para os Lannister.
Ao contrário dos outros, neste livro o grande desfecho não ocorre em uma guerra. É um livro mais político, com alianças e casamentos para sela-las, intrigas e mortes, muitas mortes. 
Por falar em casamentos... neste livro tem o tão aguardado e ao mesmo tempo evitado Casamento Vermelho. Não darei mais detalhes para não estragar a leitura, mas posso dizer que é uma das cenas mais chocantes não só do livro, mas de toda a série. E tem uma fala de Stannis Baratheon que resume bem o livro: "Os casamentos se tornaram mais perigosos que os campos de batalha." 
George R. R. Martin, como todos sabemos, é brilhante, e deixa isso claro do início ao fim. Eu sempre fico imaginando a quantidade imensa de anotações que ele deve ter para que não deixe passar nada na história. Tudo é muito bem encaixado, não há espaços pra falhas (ou melhor, há espaço de sobra, com todos aqueles nomes e lugares, mas não há falhas). Tudo é muito bem explicado, e se não é, é porque ainda não é o momento certo para você descobrir.
O que eu mais gosto é que a história é completamente imprevisível. Como na vida real, não sabemos o que acontecerá na página seguinte (ou no dia seguinte). O único momento em que pensei que tinha desvendado algo da história descobri que não, não era nada do que eu tinha pensado (mas o que se deu acabou sendo melhor ainda). E mesmo com o único spoiler que recebi ainda fui surpreendido quando aquilo realmente aconteceu.
Neste livro conhecemos o lado de Jaime Lannister da história, conhecido por toda Westeros como Regicida. O segundo livro todo, Jaime passou como prisioneiro dos Tully, lá em Correrrio. Mas neste ele foi liberto por Catelyn e está sendo levado por Brienne de Tarth (que ainda acreditam ter matado Renly) para ser trocado por Arya e Sansa em Porto Real. O problema é que elas não estão em Porto Real, o que gera ainda mais problemas (e desencontros de cortar o coração).
Os personagens são muito humanos. Não há nada de batalha do bem contra o mal, os bonzinhos e os vilões. São batalhas de interesses, e nem sempre aquele que deseja algo diferente está errado. Os dilemas em que os personagens são colocados e as decisões que tomam são bem reais, e duvido que as pessoas, adaptando esses dilemas aos dias de hoje, tomariam decisões diferentes.
É... bem, perfeito!
Muitos personagens morrem. Personagens queridos. Personagens que farão falta. Mas não temos alternativa a não ser conviver com isso e continuar lendo. Mais uma vez, como a vida real. É um livro de fantasia, mas consegue ser mais real do que aqueles que se propõe a retratar a realidade.
Chegar ao fim da série vai me dando um aperto no coração... eu estou tão familiarizado com os personagens e tão enlevado pela história que não sei o que farei quando terminar A Dança dos Dragões. George anunciou Os Ventos do Inverno e Um Sonho de Primavera, os dois últimos livros dá série, mas apenas os nomes. Segundo ele, não é pra esperarmos o sexto volume antes de 2014, imagina só o último. Te entendo George, deve ser um processo muito trabalhoso escrever livros assim, mas se você morrer antes de publicar os dois últimos eu te mato.
É um livro sensacional, épico, surpreendente, etc etc. Enquanto Fúria dos Reis leva um tempinho para começar com a ação de verdade, Tormenta de Espadas tem ação do início ao fim. Alguns capítulos mais calmos ao longo, sim, mas nada que quebre o clima (talvez alguns capítulos de Bran, mas nada sério).
Todos aqueles que apreciam literatura fantástica ou simplesmente gostam de ler bons livros, que te prendem por horas a fio e te fazem se esquecer de que tem compromissos no dia seguinte, precisam ler está série.

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D