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domingo, 15 de maio de 2016

Vamos falar sobre Dom Casmurro

Oi, migos, como vão?
Hoje estou aqui (depois de mais um hiatus imenso, perdão) para falar sobre um dos maiores e mais comentados clássicos do nosso país, escrito por um dos melhores autores da literatura brasileira (e, particularmente, meu favorito): Dom Casmurro, de Machado de Assis!
O livro nos leva em uma espécie de tour psicológico pelo desenvolvimento da relação entre Bentinho e Capitu, que começou como uma história de amor muito belezinha, mas que terminou com uma atmosfera de muita desconfiança e até mesmo de ódio.
Bento e Capitu sempre foram muito próximos, crescendo praticamente juntos, e, ao chegarem à adolescência, perceberam que o que sentiam um pelo outro era, na verdade, amor. Acontece que, quando ele nasceu, sua mãe fez uma promessa que envolvia, como parte do cumprimento, mandá-lo para um seminário quando ficasse mais velho, para que ele se tornasse padre.
Não precisa nem dizer que essa promessa tornou-se um enorme empecilho para o relacionamento dos jovens. Traduzindo, bugou completamente o rolê dos dois. Bentinho, sem muita voz ativa para enfrentar a mãe sobre as decisões que envolviam sua própria vida, nada fez para tentar mudar isso, e lá foi para o seminário, sendo separado da amada.
Ele não se torna padre, vale ressaltar, mas, pelo menos, o seminário serviu para que conhecesse aquele que vem a ser seu melhor amigo, Escobar (que, by the way, também não vira padre).
Depois de muito tempo, já adultos, Bentinho finalmente se casa com Capitu, com quem tem um filho. Sua família e a de Escobar eram muito próximas e, quando o rapaz morre, todos estão presentes no velório. É aí que tudo começa a desandar.
Bentinho sempre deixou transparecer que é um homem muito ciumento (bem inseguro com relação ao próprio taco, digamos), mas o ciúme atinge seu ápice ao ver a esposa chorando pela morte do amigo. Ele enxerga, no jeito com que Capitu sofre pelo defunto, o sofrimento de quem perdeu o amado, e, à partir de então, torna-se desconfiado de um jeito bem doentio, chegando até mesmo a acreditar que seu filho é, na verdade, filho do melhor amigo. 
Daí vem a clássica pergunta: Capitu traiu ou não? E a resposta mais clássica ainda: não sei. Ninguém sabe.



Essa dúvida é plantada de maneira genial por Machado. De certa forma, ele nos dá motivos para acreditar nas duas possibilidades, e nunca, em momento algum, fica explícita a resposta para a grande questão.
Quando eu era mais novo, eu acreditava que fosse um segredo universal que todos aqueles que leram o livro guardavam para si, como um spoiler que, se fosse dado, tiraria toda a graça da coisa. Mas a verdade é que a resposta não está lá! Quer dizer, está. Mas não está.
Pra começar, a narração é em primeira pessoa, o que já deixa qualquer conclusão muito mais difícil. Bentinho é um narrador nem um pouco confiável. Primeiro, porque é bem louco de ciúmes, então é claro que, vendo por seus olhos, qualquer coisinha que Capitu faça pode parecer uma coisona enorme. Segundo, por mais e mais motivos que não vou contar porque, né, faz parte da graça do livro.
Por outro lado, Capitu é descrita como uma mulher bem espertinha desde sempre, que sabe fingir muito bem, quando precisa. E, assim como disse sobre Bentinho, há mais alguns motivos cuja descoberta dá graça ao livro.
Particularmente, acredito que ela não traiu. Mas essa conclusão não passa de achismo, e isso é um dos principais fatores que perpetuaram Dom Casmurro como um dos maiores livros da nossa literatura, conseguindo se manter vivão até hoje e prometendo continuar assim até, tipo, sempre.
É uma narrativa lenta, não nego, mas isso se deve principalmente ao fato de ser muito reflexiva, o que torna a leitura muito gostosa de se acompanhar. Se você, assim como eu, preza pela profundidade dos personagens, e gosta de acompanhar character development, esse livro é um prato mais do que cheio!
Machadão faz uma verdadeira viagem pelos pensamentos mais obscuros de Bentinho, e nos sentimos realmente imersos. É muito interessante a maneira como os lugares e a aparência física parecem nem ter tanta importância, mas os olhares, os gestos mais repentinos, tudo ganha muita atenção e faz toda a diferença (Capitu, por exemplo, tem os olhos como uma de suas principais características, como se fossem a janela de sua alma). Para quem se interessa por psicologia, está aí outro prato cheio.
Mas, já aviso: é um livro que não deve ser lido como qualquer outro. Deve-se estar sempre atento às entrelinhas. Nada é desperdiçado, e as palavras estabelecem uma harmonia perfeita entre si, como se fossem escolhidas com o maior dos cuidados por parte do autor para dar o efeito desejado. 
Tive que ler para a escola, mas, sem dúvidas, foi a melhor leitura obrigatória que já tive na vida!
Recomendo muito, mas, já que pode não ser um livro que você lerá como lazer em uma tarde ensolarada de domingo, digo pelo menos que não reclame quando seu colégio te mandar lê-lo, e não perca essa oportunidade com resumos ou com uma leitura rasa. Você nem imagina a joia que terá em mãos!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

P.S. E aí, traiu ou não?

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vamos falar sobre: O Iluminado

Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre um dos livros que eu mais queria ler dentre todos os mais de cem da minha wishlist, que morou lá por muito tempo até que eu finalmente pude comprá-lo neste ano e que não só correspondeu como superou minhas expectativas: O Iluminado, de Stephen King.
A obra-prima do suspense/terror sobrenatural nos conta a história da família Torrance e a maneira como sua vida é afetada pelo grande hotel Overlook.
Jack, o pai da família, é um homem que já teve problemas sérios por conta de seu alcoolismo e mau temperamento e, na tentativa de superá-los, se muda com a esposa e o filho, Wendy e Danny, para o luxuoso hotel Overlook, para trabalhar como zelador. O estabelecimento se localiza nas montanhas em uma região de inverno rigoroso e, no período de neve, é quase impossível e nem um pouco recomendado chegar até ele. A função de Torrance seria cuidar do hotel neste período em que ele fica completamente vazio e isolado do resto do mundo, o que seria uma grande oportunidade para se afastar dos vícios e poder se concentrar em concluir a peça de teatro em que tanto trabalha. 
Acontece que o Overlook não é um simples hotel. Com um histórico nebuloso cercado de mortes e transações suspeitas entre membros da máfia, esconde diversos mistérios em cada um de seus quartos, e o espírito do hotel não descansará enquanto os seus novos moradores não estiverem mortos também, principalmente Danny, com certas habilidades que o tornam um Iluminado: o garoto pode ouvir os pensamentos dos outros, além de ter visões acerca do que já aconteceu e do que poderá acontecer. Trata-se de um imenso poder, poder este que o hotel quer obter a todo custo.



Uma das questões mais notáveis do livro e que não posso deixar de ressaltar já de cara é a imensa profundidade psicológica que traz, explorando com perfeição todos os personagens em seus mais íntimos pensamentos. E não só as características psicológicas são trabalhadas, mas os pensamentos que se passam em suas cabeças nos instantes mais importantes, conseguindo detalhar cada um de uma maneira que nunca vi em um livro. Nunca vi um narrador onisciente tão... onisciente. Cada lembrança descrita terá uma grande significação ao longo da história, cada pensamento pode ser levado em conta e é indispensável na transição emocional dos personagens.
A mais importante, sem dúvida, é a de Jack. Não é spoiler dizer que o hotel tentará usar o pai para conseguir botar as garras no filho (você certamente já viu a cena clássica em que ele aparece por trás de um buraco que fez na porta e diz "here's Johnny"). A maneira como o Overlook se apossa de Jack é brilhantemente descrita por King: todos os pensamentos conflitantes, todos os momentos em que você percebe o hotel tomando conta de quem Torrance era.
É também maravilhosa a maneira como Stephen consegue fazer tudo isso sem tornar a leitura maçante. Muitas vezes você se pega lendo várias e várias páginas apenas de pensamentos e lembranças, mas, o que poderia ser muito cansativo e deixar a leitura emperrada, na verdade passa de forma deliciosa sem você se incomodar.

O Overlook é a peça central e tão importante e presente na história que podemos colocá-lo como um personagem de fato, o quarto participante que está sempre lá, permeando a vida dos três Torrance enquanto as coisas vão de mal a pior.
A maneira como o sobrenatural é inserido no livro é espetacular, e temos desde cenas mais psicológicas do que visuais de fato a cenas que beiram o macabro, tão brilhantemente descritas.
Se, em outros livros, elogio a riqueza de detalhes físicos, neste é a riqueza de detalhes dos elementos abstratos que torna tudo sensacional, sendo um livro diferente de qualquer outro que você irá ler.  
Com toda essa tensão psicológica, é aquele tipo de obra que te arrepia aos poucos, e você se encontra tão dentro da cabeça dos personagens que é impossível não se afligir e se colocar em seus lugares. É tão recomendado mas tão recomendado que se torna quase obrigatório!

Espero que tenha gostado, até a próxima ;D

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Vamos falar sobre: Como Eu Era Antes de Você



Oi, como vão?
Hoje estou aqui para falar sobre um dos últimos livros que li e um dos melhores romances que já conheci (não que eu leia muitos romances, mas este é realmente bom): Como Eu Era Antes de Você, de Jojo Moyes!
O livro nos conta a história de Louisa Clark, uma jovem de uma cidade pacata da Inglaterra que vive uma vida ainda mais pacata, se posso dizer. Ela trabalhou a vida toda em um estabelecimento da cidade, sem sequer fazer faculdade, e sempre viveu uma vida muito pequena, limitada e sem grandes aspirações: não se interessava por viagens, por aventuras, por novidades. Até que o lugar em que trabalhava fechou e Lou se viu desempregada, sem muitos atributos em um currículo que a garantissem um bom emprego depois disso. 
Depois de passar por estranhas experiências em busca de um novo emprego, Louisa se vê na casa dos Trainor, sendo contratada para trabalhar com um rapaz amargo que ficara tetraplégico depois de um acidente de moto. Assim ela conhece Will Trainor, que sempre foi seu completo oposto: aventureiro, gostava de estar constantemente conhecendo coisas novas e vivendo novas experiências, levando uma vida de sucesso com toda sua riqueza e beleza e uma linda namorada, além de um bom emprego.
Tudo em sua vida mudou depois que, em um dia chuvoso, foi atropelado por uma moto e perdeu praticamente todo o movimento do pescoço para baixo. Agora, preso à sua cama e a uma cadeira de rodas motorizada, abandonado pela ex-namorada e impossibilitado de praticar tudo aquilo que fazia com que sua vida fosse tão boa assim, tornou-se amargo e profundamente infeliz.
Em companhia do enfermeiro Nathan e sendo, de certa forma, sufocado pela mãe, Will resolve pôr um fim a tudo isso por meio da Dignitas, uma clínica de suicídio assistido (basicamente, eutanásia), onde muitas pessoas na mesma situação se reúnem às famílias e partem pacificamente, sem nenhuma dor, da maneira que bem entenderem.
Sua família, como era de se esperar, não aceita a ideia de forma alguma, mas resolve fazer um acordo: se, em dentro de seis meses, Will não encontrasse nada que lhe fizesse mudar de ideia, eles nada poderiam fazer a não ser acompanha-lo até a clínica onde ele finalmente cometeria suicídio. 
É aí que entra Louisa: com seu jeito extrovertido, a garota se torna a única esperança para fazer com que Will restaure sua vontade de viver, e ela se empenhará muito para que isso aconteça.



Esta é a história do livro lançado por Moyes que, sim, lembra, de certa forma, o filme francês Os Intocáveis. No longa (que, aliás, recomendo) um rapaz sem qualificação alguma acaba na função de cuidador de um milionário tetraplégico e, contrariando o que todos esperavam, se deu muito bem no trabalho e se tornou o melhor amigo do patrão.
No caso de Como Eu Era Antes de Você, tudo leva a um romance, é claro. Mas a maneira como a autora desenvolve a relação entre Lou e Will faz com que não seja um romance forçado, empurrado no leitor do início ao fim. Mesmo que seja o esperado, no final das contas, Moyes nos faz vibrar a cada avanço que a amizade dos dois toma, e, mesmo que a história de amor esteja sempre lá no fundinho, o que mais chama a atenção é a amizade incrível que constroem.
A maneira como um muda aos poucos a vida do outro é natural e muito gostosa de ser acompanhada, justificando o título do livro que, mesmo que pareça se referir a Will, na verdade representa toda a mudança que ele realiza em Clark. 
Se você, assim como eu, não suporta romances açucarados, não terá problema nenhum com esse livro. Não há momentos melosos, nem nas cenas mais românticas. Isso não quer dizer que seja seco, pelo contrário: é lindo, só que bem balanceado e, como já ressaltei, bastante natural.
A escrita de Jojo é uma delícia, e os personagens são muito carismáticos. Ao ler, você tem em mente o tempo todo que poderá sofrer muito no final, a possibilidade sempre lá, cada vez mais perto. E, mesmo que as evidências apontem para um dos lados, você torce o tempo todo para que uma reviravolta aconteça e tudo termine da forma mais bonita possível.
A adaptação do romance será lançada, creio eu, no ano que vem, protagonizada por ninguém menos que Emilia Clarke (a Daenerys, de Game of Thrones) como Louisa e Sam Claflin  (o Finnick, da saga Jogos Vorazes) como Will, e mal posso esperar! 
Mesmo que a premissa de uma pessoa espevitada ajudando um milionário tetraplégico amargo não seja das mais originais, o desenvolvimento dado é imperdível, e é um livro que recomendo muito!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

domingo, 19 de julho de 2015

The 100: quando a adaptação se torna melhor que o original


Oi, como vão?
Eu geralmente me recuso a acreditar que uma adaptação é melhor que seu original. Sempre que eu leio, por mais que eu goste do filme ou série, eu nunca tinha me deparado com um caso em que o livro seja superado... até agora.
Li The 100 (the hundred, não the cem) alguns dias atrás, bem depois de ter começado a assistir à série (que, aliás, deixei abandonada por um ano e agora voltarei para concluir a segunda temporada), e pude notar tudo o que todos falavam sobre a série ser uma péssima adaptação. Se você é um daqueles que gostam de reclamar das diferenças, The 100 é um prato cheio. Mas não precisei de muita reflexão sobre o livro para concluir que a série consegue ser muito superior ao YA escrito por Kass Morgan.
The 100 conta a história dos humanos remanescentes de uma guerra nuclear que devastou o mundo. Para que a raça humana não fosse extinta, muitas pessoas foram mandadas para a Arca, uma espécie de estação espacial onde foi formada uma nova colônia, com seu próprio governo e rígidas regras. As pessoas vivem estilos de vida um tanto desiguais: enquanto algumas têm certos benefícios, outras são, de certa forma, largadas pelo governo, assumindo as profissões que ninguém mais quer e sendo os primeiros a serem excluídos quando se trata de medidas de emergência. Essa Arca já ficou no espaço por tempo demais, e seus suprimentos finalmente começaram a acabar. A produção já não dava mais conta de suprir todas as necessidades, o oxigênio já não era mais suficiente, entre mil outros problemas. Unindo o útil ao agradável, o governo decide enviar cem adolescentes que estavam presos no centro de detenção para a Terra, tanto como uma forma de diminuir a população para que os suprimentos durassem mais (mas é claro que isso não é explícito) quanto para se instalarem na Terra e descobrirem se o ambiente pode voltar a ser habitado, para que a Arca possa finalmente pousar.



Durante o lançamento desses adolescentes, mil problemas acontecem, mas eis que eles conseguem chegar à Terra e construírem uma pequena colônia.
As maiores diferenças já estão muito presentes desde o início, e falarei um pouco mais sobre elas (não todas, obviamente, senão esse post ficaria maior que o próprio livro). Vamos lá?

1. A visão de dentro da Arca
Enquanto na série temos a mãe de Clarke e outros personagens na Arca, a visão do espaço no livro fica por conta de Glass, uma das quatro personagens que narram a história (os outros são Clarke, Wells e Bellamy). Glass é uma garota que foi presa por um motivo que garante uma das surpresas do livro, e que por isso teve que se separar de seu namorado. Acontece que ele nunca soube que ela foi presa e, durante o lançamento da nave, quando a garota finalmente consegue escapar e chegar à porta do apartamento do amado, descobre que ele já está namorando outra, e agora fica tarde demais para voltar à expedição para a Terra. É um plot muito bom e que poderia ter sido explorado também na série, mas como os acontecimentos seguem rumos muito diferentes, acho que Glass não teria um lugar na história. Ah, e sobre Clarke, o livro já começa com seus pais mortos, o que já muda muita coisa no enredo.

2. A obediência dos adolescentes
Na série os adolescentes são muito mais rebeldes no que no YA. Todos eles ganham braceletes que comunicarão seus sinais vitais à Arca, para que possam monitorar sua saúde e verem se não estão sendo afetados com a radiação. Isso no livro se torna obsoleto com o tempo, mas na série gera muita treta: Bellamy, líder da revolução, convence a maioria dos 100 a retirarem seus braceletes, para que a Arca não consiga saber se eles estão vivos ou não, não desçam para Terra e, bem, que se danem. Isso dá um toque muito mais sério à história, e torna ainda mais interessante.

3. O impacto das revelações
Não revelarei qual informação é essa para não dar spoilers, mas digo que algumas coisas que no livro são dadas como >a< revelação da história e "ai meu Deus que cliffhanger louco o que será que vai acontecer" na série são dadas já muito antes, e, surpreendentemente, ficam muito melhores do que foi no livro.

4. Personagens irritantes
Um dos piores personagens que já li na minha vida é Wells, o filho do Chanceler (o presidente da Arca, digamos) que dá uma mancada muito grande com Clarke e passa a história inteira (sim, ele existe só pra isso) tentando reconquistá-la e fazer com que ela entenda. E quando ela o entende, ele dá mais mancadas enormes. Mesmo que possamos entender tudo o que ele fez, ele é um personagem incrivelmente bosta (é, pois é) e acredito que o destino que foi dado a ele na série (se você já assistiu, pode lembrar facilmente o momento em que eu vibrei de felicidade) foi muito mais interessante.

5. Casais
O livro foca muito em casais. Muito. Muito mesmo. E isso me cansa. Tudo bem, eu sei, é um young adult, e é difícil um young adult que não se perca da boa história que conta só pra focar desnecessariamente em casais que nada agregam. Mas no livro isso foi bem intenso, enquanto na série os casais e os shippers também estão lá, mas de uma maneira muito mais madura e interessante. E, melhor anda: eles souberam colocar os casais de forma a agregar no enredo, enquanto no livro eles só emperraram tudo.

Ao terminar de ler, a sensação que me restou foi a de que é um livro curto demais. Mas não pelo tamanho em si (embora não seja longo mesmo), mas pelo mau aproveitamento que teve. Como falei acima, é dada uma importância imensa pra esses conflitos de casais e muita coisa que poderia ser explorada de forma muito interessante pela autora acaba por ser largada de lado. 
A única coisa de que realmente gostei no YA foi a maneira como ela narra a estupefação dos adolescentes diante da natureza pela primeira vez. Como eles eram os primeiros em muitas gerações a pisarem na Terra, senti que foi bem construída, além de bem natural, a maneira como eles não conhecem praticamente nada e ficam com medo até de uma simples chuva.
A série, ao meu ver, conseguiu captar os pontos positivos do livro e fazê-los de tornarem ainda melhores na telinha, os potencializaram. Os pontos negativos foram, de certa forma, consertados, e o seriado consegue nos apresentar uma história muito mais madura e consistente do que aquela que lemos. É como se ela valorizasse o espectador, enquanto Kass Morgan devesse pensar que compramos qualquer livro baseados nos casais e que perder muito tempo escrevendo clichezões mudando apenas a ocasião já tornaria o livro satisfatório. E isso é uma pena.
Não sei se chegarei a ler o segundo, Dia 21, mas certamente a série seguirei vendo e não pararei mais. 

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

sábado, 16 de maio de 2015

Vamos falar sobre: Objetos Cortantes, Gillian Flynn

Oi, como vai? 
Hoje estou aqui para falar sobre Objetos Cortantes, o primeiro livro publicado por Gillian Flynn (mas seu segundo publicado no Brasil), que se tornou uma de minhas autoras favoritas. Dela, li o fenomenal Garota Exemplar, que também se tornou um de meus livros favoritos. Sim, Flynn tem este poder.
Neste thriller, conhecemos Camille Preaker, uma repórter de um jornal pouco conhecido de Chicago que recentemente saíra de uma clínica psiquiátrica. Camille, cuja mente é perturbada pela maneira como foi criada, se cortava compulsivamente. E não são simples cortes. Ela cortava palavras por todo o corpo, e por isso, hoje em dia, não sai sem roupas de mangas e golas compridas. 
Para alavancar a popularidade de seu jornal, Preaker é mandada por seu editor até a cidadezinha de Wind Gap, sua cidade natal, onde um certo assassino em série está matando criancinhas e tirando todos os seus dentes. 
Camille, então, deve voltar a conviver com sua família, muito complexa e perturbada e que descobrimos ser a grande causa dos distúrbios da protagonista. Enquanto tenta superar seu próprio passado, Preaker se vê cada vez mais envolvida no caso dos assassinatos, e as respostas que encontrará serão mais surpreendentes do que imaginava.

Gillian Flynn é conhecida por suas impactantes protagonistas e, em Objetos Cortantes, temos não só a personagem principal, mas sua mãe, Adora, e sua meia-irmã Amma. As duas têm uma relação um tanto obsessiva, e o perfil que Flynn traça para cada uma delas chega a ser perturbador e doentio. Sim, o adjetivo perturbador é o que melhor descreve esta incrível obra.
Em alguns momentos, confesso, as descrições chegam a ser desagradáveis, como no momento em que Gillian descreve o vômito de Camille (é, pois é). Mas, na maior parte do tempo, essas descrições conseguem deixar o leitor imerso na atmosfera criada e viciado na história que se desenrola naquelas páginas. Depois de começado, não há como simplesmente deixa-lo de lado.
É perceptível o domínio e a segurança que a autora tem sobre a história, e a maneira como a desenvolve pode parecer lenta em alguns momentos, mas, quando concluímos, percebemos que cada acontecimento foi útil, que nenhuma parte foi desperdiçada.
Sua conclusão é incrível e surpreendente, e, mesmo que você tenha chegado perto do assassino da história, certamente não terá entendido seus motivos ou seus meios até que a autora os apresenta de maneira inteligente e um tanto fria. 
Uma leitura imperdível, recomendadíssimo para você que procura um bom thriller, que passou a gostar do trabalho de Flynn e quer acompanhar sua obra ou que simplesmente busca um livro de tirar o fôlego!

Espero que tenha gostado, até a próxima ;D

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Vamos falar sobre: Persuasão



Oi, como vai? 
Hoje estou aqui para falar sobre Persuasão, segundo livro de Jane Austen que li, porém o último concluído pela autora. 
Nesta primorosa obra, conhecemos a história de Anne Elliot, filha do vaidoso e superficial Sir. Walter, que gasta além do que pode para manter as aparências e, por conta disso, acaba perdendo as propriedades de sua família. Assim, ele, Anne e Elizabeth, sua outra filha (que puxou ao pai nas piores características), precisam se mudar e alugar sua antiga propriedade. 
Anne é uma garota que já fora muito bela, mas que, hoje, é desprovida de grande beleza pelo peso de uma grande tristeza, arrependimento e oportunidade perdida que teve quando era mais jovem. A protagonista desistira de se casar com o homem que amava, Frederick Wentworth, persuadida pelas pessoas ao seu redor, que não consideravam o casamento vantajoso.
O rapaz, que era marinheiro, após a desilusão que teve com a amada, acabou por voltar aos mares, enriquecer muito e tornar seu nome importante. Basicamente, tornou-se o partido almejado por todos aqueles que influenciaram Anne.
Agora, oito anos depois, Wentworth, parente dos novos proprietários da antiga casa dos Elliot, volta a viver nas redondezas e a participar do círculo de conhecidos de Anne. Acontece que a oportunidade que tiveram fora perdida, e parece ser tarde demais para que possam voltar a ter algo parecido do que o que tiveram e fora interrompido no passado.
Anne, agora mais madura e com uma personalidade mais forte e menos influenciável do que antes, vê suas chances diminuírem cada vez mais, inversamente proporcionais ao seu arrependimento, enquanto Wentworth se envolve com Louisa Musgrove, membro de uma família bem próxima, e um casamento é dado como certo.



A partir daqui, não darei mais detalhes deste livro que recomendo muito e que, inclusive, considero o melhor que já li da autora, colocando em segundo o queridinho dos leitores Orgulho e Preconceito. 
Com uma narrativa deliciosa, Austen consegue retratar toda a atmosfera pesada da história que criou, nos fazendo pensar sobre a influência que a opinião alheia tem em nossas vidas e em como o arrependimento de não tentar algo pode ser ainda maior do que o de tenta-lo. 
Entrando na cabeça de Anne e de outros personagens, Jane Austen nos brinda com personagens muito bem construídos e donos de uma profundidade ímpar, que se tornam o diferencial de seus livros. 
A ironia também está muito presente na obra, retratando os costumes e os perfis da sociedade da época, outra marca registrada da autora. 
Neste livro, diferentemente de Orgulho e Preconceito, ainda nos deparamos com algo próximo de um vilão, um personagem cuja identidade não revelarei para que não seja spoiler para ninguém. Este personagem, maquiavélico, realizou diversas barbaridades para alcançar seus perversos objetivos no passado, e pretende fazê-lo novamente, e não imaginei me deparar com algo tão sério assim em um livro da autora.
Embora saibamos que a principal história no romance é a de Wentworth e Anne, o foco não está somente nisso, o que faz com que o livro não seja cansativo e aborde temas que o tornam ainda mais completo.
Ler Persuasão só reforçou minha opinião de quão sensacional é Jane Austen, e não tardarei a ler mais um livro de sua autoria. Recomendo muito!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

domingo, 22 de março de 2015

Resenha + Sorteio: O Limiar, David Baldacci

Excepcionalmente neste domingo, não teremos o Filme da Semana, mas para dar lugar a uma novidade muito bacana!

Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre O Limiar, de David Baldacci, um dos lançamentos do mês que me foi enviado pela editora Gutenberg!
O livro nos conta a história de Vega Jane, uma garota de 14 anos que tem mais responsabilidades do que seria natural para a sua idade, tendo que trabalhar para sustentar a si e ao seu irmão. Ela vive no vilarejo de Artemísia, um lugar relativamente pacífico (porém cheio de injustiças e não tão bom para se viver), cercado por uma densa e perigosíssima floresta chamada Pântano, onde vivem criaturas terríveis que atacarão qualquer um que se aventurar por lá. Dessa forma, os habitantes (chamados de wugs) vivem presos na cidade, sem saber o que há além dos limites do Pântano, ou se há alguma coisa de fato. 
Vega, de certa forma, se conformava em viver assim, até que vê um de seus amigos fugindo do vilarejo. E tudo fica ainda mais estranho quando descobre que ele a deixou um mapa do Pântano e um livro contendo informações sobre as criaturas que lá viviam e meios de atravessa-lo. 
Enquanto nossa protagonista tenta descobrir o que há para além do limiar da cidade, deverá lidar também com os membros do Conselho, que querem tornar a população cada vez mais submissa e presa dentro dos limites de Artemísia. 
Daqui em diante, não darei mais detalhes, afinal o livro apresenta reviravoltas a cada capítulo e não quero dar o mínimo spoiler sequer!



É um livro agitadíssimo, para começo de conversa. A todo momento alguma coisa está acontecendo, e é um daqueles livros fáceis de se devorar. A escrita de Baldacci é agradável, tornando a leitura fluida mas sem uma linguagem bobinha. 
Uma coisa que achei bem interessante foi a maneira como o autor criou um vocabulário único para a história, dando um nome diferente aos cidadãos do vilarejo, aos minutos, a diversos animais e bestas que só existem no universo da história.
Mesmo que toda essa imaginação torne a leitura empolgante e diferente de qualquer outra obra, em certos momentos me fez pensar que o autor escreveu o livro sob o efeito de alucinógenos. Isso porque muitas cenas beiram o surreal, mesmo para um livro de fantasia. Embora sejam bem descritas, as cenas narram acontecimentos que deixam o leitor com a clássica expressão de "what the fuck?" no rosto, mas isso não é necessariamente negativo. Isso torna a leitura mais empolgante, e me deixou ávido por algumas respostas que espero encontrar na sequência.
Sim, O Limiar é o primeiro livro do que promete ser uma trilogia. Isso me deixou desanimado no início, porque cansei de distopias adolescentes e livros do gênero. Mas a obra não é distópica, e sim de ficção fantástica, e Vega Jane não é uma protagonista como outras do gênero, mas uma garota encrenqueira e muito corajosa por quem não há como não torcer.
A única coisa que me desanimou neste livro (mas não é uma reclamação desta obra em si, e sim de todos os que se encaixam neste caso) é o fato de ficar 100% claro quem é a protagonista e, por isso, tudo que há na história sempre acontecer com ela. Todos os lugares que nos são introduzidos ou apenas citados serão, em algum momento, visitados por ela, e é ela quem passará por todos os problemas imagináveis. Dessa forma, sempre que Vega entra em perigo de vida, mesmo que a maneira como ela irá se safar daquilo seja uma completa surpresa, já sabemos que ela não morrerá. Podemos ficar sem fôlego pelas ações dela, mas não chegamos a temer por sua vida de fato, afinal, se ela morrer, o livro acabará naquele ponto, o que sabemos que não acontece. Mas esses momentos de risco à vida são necessários em qualquer obra, e são eles que dão a agilidade que torna O Limiar impossível de largar. 
Mesmo que certos acontecimentos acabem desafiando de forma louca a realidade, não há como não se deixar levar pela narrativa, e não só recomendo como presentearei um dos leitores do blog com um exemplar do livro!

Sim, caros amigos, agora vem a segunda parte do post. Recebi dois exemplares de O Limiar e, mesmo que a Gutenberg não tenha me especificado nada ou me "mandado" sortear o livro, resolvi fazê-lo. Como nunca realizei nenhum sorteio aqui no Mundos na Estante, aceito sugestões e avisos caso esteja cometendo algum erro.
Para participar, você deverá:

1. Morar no Brasil;
2. Comentar pelo menos 5 (cinco) posts no meu blog, deixando seu email como assinatura para que eu possa saber quem você é e entrar em contato com o ganhador. Este post pode ser um dos comentados!

Estabeleci somente essas duas regrinhas porque nem todos possuem blog para me seguir aqui e eu não tenho página no Facebook para pedir para curtirem ou coisa parecida. O único requisito serão os comentários. O sorteio começará hoje e irá até o dia 4 de abril, um sábado, no qual farei um post com os resultados e enviarei o exemplar. Clique abaixo para participar!

a Rafflecopter giveaway Espero que tenham gostado, que participem, e boa sorte a todos!

Até a próxima ;D

sábado, 21 de março de 2015

Primeiras Impressões: A Playlist de Hayden

Oi, como vai?
No mês passado a editora Novo Conceito me enviou o release de A Mais Pura Verdade que, como vocês devem ter percebido, não foi uma experiência muito agradável. Pensei que era somente como um "prêmio de consolação" àqueles que não conseguiram parceria, mas há alguns dias, surpreendentemente, recebi outro release da editora: A Playlist de Hayden, livro que, ao contrário do anterior, amei!
A Playlist de Hayden nos conta a história de Sam, um garoto meio nerd que só tem um amigo, o inseparável Hayden. Os dois são aquele clássico grupo de nerds dos colégios americanos, que sofrem bullying dos valentões babacas e gostam de jogar RPGs. 
A relação que Sam e Hayden constroem faz com que a amizade um do outro seja o suficiente, sem que precisassem de outros amigos ou se deixassem levar por toda a zoação que sofriam. Isso é o que Sam pensava.
Depois de uma festa, os dois têm uma grande briga sobre a qual ainda não sabemos muito (o release contém as primeiras 86 páginas do livro de 288), os dois se separam e, no dia seguinte, quando Sam vai até a casa de Hayden, o encontra morto em sua cama. O garoto cometeu suicídio e, no chão ao seu lado havia um pen drive com um bilhete. No pen drive, Hayden montou para Sam uma playlist, que este deverá ouvir enquanto busca o porquê do suicídio e tenta superar a morte do único amigo. 
Tudo já estava muito estranho, até que Sam descobre Astrid, uma garota muito legal e descolada que se diz amiga de Hayden, mas que não quer contar onde ou como o conheceu, e o porquê de o amigo nunca tê-la mencionado. 


Daqui em diante não darei mais detalhes, nem tanto para não dar spoiler, mas para ter o que falar na resenha do livro completo, que certamente quero ler! 
Além da história, que achei bastante intrigante e cujo desenrolar estou curiosíssimo para descobrir, achei a maneira como o livro foi montado bem bacana: cada capítulo é uma das músicas da playlist de Hayden, que já me fez descobrir muitas músicas ótimas. 
Quando comentei com amigos a história, muitos se lembraram na hora do livro Os 13 Porquês, no qual uma garota se mata e deixa a todos aqueles, que, de alguma forma, contribuíram para isso, fitas com uma espécie de acusação. Deste livro não gostei nem um pouco, e creio que A Playlist de Hayden não tenha nada a ver. No primeiro, temos uma garota dizendo a muitas pessoas "olha, eu me matei por sua causa", enquanto neste temos apenas músicas, que foram deixadas ao amigo por algum motivo que ainda descobriremos. 
A autora constrói muito bem a atmosfera de suspense, e estou cada vez mais curioso para saber como terminará!
A Playlist de Hayden será lançado no dia 6 de abril!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

quarta-feira, 11 de março de 2015

Vamos falar sobre: Perdão, Leonard Peacock

Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre Perdão, Leonard Peacock, de Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida, mais um dos ebooks que li nas férias e que só agora consegui reunir meus pensamentos e opiniões de forma decente para poder escrever sobre!
O livro conta a história do jovem Leonard Peacock, um garoto que passou por certos acontecimentos um tanto "traumatizantes" no início de sua adolescência e que hoje se encontra perturbado, completamente descrente com a humanidade, e que chega a uma extrema decisão: cometer um assassinato, e depois se matar.
Mas antes, nesse célebre dia, Leonard deseja empreender uma jornada, visitando as pessoas que, de alguma forma, fizeram diferença em sua vida, e dando-lhes um presente especial.
Assim, o jovem visita seu vizinho idoso com quem se reunia para assistir a filmes antigos de Bogart, uma garota por quem sentiu um tipo peculiar de paixão, seu professor favorito, que lhe ajudou a desenvolver um pensamento crítico e com quem se identifica muito, entre outros personagens, sempre com a arma nazista que herdou de seu avô na mochila e com uma única certeza: no final do dia, irá usa-la.

É um livro, acima de tudo, muito crítico, trazendo interessantes reflexões e questionamentos acerca da vida em si, do comportamento de adolescentes e adultos, do consumismo, etc. Como é narrado em primeira pessoa, conseguimos mergulhar na maneira que Leonard vê o mundo, e como tudo, para ele, parece sem esperanças.
Em passagens muito interessantes, por exemplo, Peacock comenta que gosta de se vestir como um adulto, pegar uma maleta (vazia) e ir até a estação de metrô no horário em que estão indo e voltando do trabalho. Lá, escolhe aquele que lhe parece mais infeliz para seguir e observar. Isso o mostra que muitos dos adultos são infelizes com seus empregos e suas vidas, e o faz pensar que talvez se tornar um adulto não valha tanto a pena.
É um ótimo livro para pensar, mas aviso: as críticas, embora sejam verdadeiras e pertinentes, não devem ser levadas tão a sério, ou você poderá se tornar alguém depressivo e sem esperanças na humanidade como nosso protagonista. E não é exagero.
Todas esses ideais são expressos em uma narrativa leve, fluida, com interessantes diálogos e, mesmo o final não sendo o mais surpreendente (pela premissa escolhida, não havia muitos caminhos para seguir na conclusão), vale a pena ser lido.
Não é um dos melhores que li no ano, e não se equiparou ou superou O Lado Bom da Vida, do mesmo autor, mas é um bom livro, e não deixa de ser recomendado!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

sábado, 7 de março de 2015

Primeiras impressões sobre A Mais Pura Verdade e bajuladores de editoras


Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre algo bastante polêmico e pelo que certamente muitos blogs podem até me odiar. 
Há algumas semanas, a editora Novo Conceito me enviou um release do livro A Mais Pura Verdade, do iniciante Dan Gemeinhart, e deu a nós, blogueiros, a missão de lê-lo e, ao final, fazer um post com as primeiras impressões para que nos enviassem o livro todo. 
O livro conta a história de um garotinho com uma certa doença que decide fugir de casa (também por um certo motivo que faz parte das descobertas do livro) para viver uma aventura nas montanhas. Basicamente, uma mistura de Extraordinário, de R. J. Palacio (que amei) com Into the Wild. Fiquei muito empolgado com a premissa, e me prontifiquei a ler, já pensando em como seria legal receber o livro da editora, mesmo não sendo um blog parceiro (ainda não tenho 1000 seguidores nem página no Facebook, amigos). 
Pois bem, comecei o livro animado, segui com a leitura, relevando alguns pontos que já me deixaram com um pé atrás, até que cheguei em um ponto em que não conseguia prosseguir, tamanha era a falta de qualidade em tudo aquilo.
Me perdoem a sinceridade, mas me pediram para escrever um post com as minhas primeiras impressões do livro, e é o que farei, para o bem ou para o mal.


A Mais Pura Verdade, para começar, é incrivelmente mal escrito. Eu sei, o personagem principal é uma criança e não teria um vocabulário elevado ou recursos linguísticos machadianos. Mas o livro conta com capítulos alternados, um seguindo o garoto e outro nos mostrando o que está acontecendo com sua família. Esses são os que mais me incomodaram, escritos de maneira muito pobre para a qual tenho duas teorias: 1. o autor talvez tenha tentado criar uma atmosfera onírica, como quando estamos em um flashback ou em um sonho em algum filme ou série e a imagem ganha um certo desfoque, ou outras cores... talvez ele tenha pensado que isso ficaria legal em um livro (não ficou); 2. ele escreve muito mal mesmo.
Sinto dizer que creio na segunda teoria. 
Outro ponto que me incomodou muito foi o quão clichê todas as situações são. É como se Dan tivesse relembrado todas as situações já batidas de tudo o que pode acontecer com um garotinho sozinho e juntasse sem qualquer inovação no livro. O garoto começa sua viagem com planos de filmes de ação e, conforme sua "saga" avança, não é como se descobríssemos nada de novo.
O personagem vai parar em um desses clássicos cafés mal iluminados de esquina dos filmes americanos, com aquela garçonete que masca chiclete de boca aberta e alguns transeuntes aleatórios nos cantos, como um homem bêbado ou um mendigo no balcão. E, sempre nessas histórias, tem alguém que será bonzinho com o personagem perdido. Conte-me novidades.
Depois de saltar para um capítulo mal escrito (como o usual) da família dele, voltamos para a saga de nosso pequeno peregrino, e ele se encontra sozinho, na rua, no meio da noite, com um grupo de malvados parado em um ponto próximo. Adivinhe só o que acontece? Dou-lhe uma chance...
Sim, exatamente, o grupo de malvados segue o garoto. Bate nele. Rouba suas coisas. Deixa-o no chão, depois de apanhar, pensando que morreu. Criatividade para quê, se você pode simplesmente juntar situações prontas?
Como se não bastasse tudo isso, há ainda uma vontade imensa do autor em nos mostrar o porquê de o nome do livro ser A Mais Pura Verdade. Essa frase é repetida ao longo do livro por várias, várias vezes. Chega a ser muito irritante.
Esses são apenas alguns dos exemplos que ilustram meu ponto e que demonstram com justeza minhas primeiras impressões do livro.



Pensei, sinceramente, em não escrever nada sobre. Afinal de contas, a ideia de escrever era para poder ganhar o livro na base dos elogios e, se eu não elogiar, de que serviria?
Ou eu poderia inventar elogios do além, escrevê-los com desgosto, só para que pudesse ganhar o livro futuramente, mas de que isso adiantaria? Eu teria um livro do qual não gosto nem um pouco na estante, e ainda teria violado meus princípios de não mudar minha opinião por causa de editora nenhuma.
Mas resolvi escrever esse post justamente por ver muitas pessoas violando esses princípios (se elas o tiverem). Sim, você pode ter até gostado do livro e achado bem escrito, como já cheguei a ler. Não é minha culpa o fato de muitos terem começado lendo livros bobinhos e simplesmente parado neles. Cada um é cada um. Mas me incomoda o modo como muitos blogs se transformam em prol de editoras, e vi isso em muitos posts de primeiras impressões sobre este livro. 
Venho me segurando para não escrever nada sobre isso desde janeiro, quando o período de parcerias começou, mas agora tudo se juntou e se tornou inevitável.
Nesse tal período de editoras selecionando parceiros, foi incrível como o número de resenhas (positivas, é claro) aumentou muito em alguns blogs. Como todos se desesperavam pedindo seguidores e likes em páginas (não estou falando de retribuição de seguidores, algo que faço numa boa, estou falando de "sigam meu blog, por favor!") só para se mostrarem mais "selecionáveis" que outros (alguns até deixavam esse motivo explícito nas postagens, lastimável). 
Era incrível como, de repente, todas as editoras faziam um ótimo trabalho, como todos os livros dela eram maravilhosos, e como tudo isso diminuiu drasticamente depois que a seleção da maioria das editoras acabou.
Recentemente, tornei-me um parceiro da editora Gutenberg, o que já me rendeu um livro e tudo o mais. Mas consegui isso sendo eu mesmo, Eles gostaram de mim, mesmo sabendo que posso detonar um livro se não gostar. Portanto não estou falando que não se deve tentar parcerias. Isso seria uma enorme hipocrisia. E parceria com editoras é muito legal. Estou falando que é ridículo o modo como muitos blogs se modificam só para serem escolhidos. Como de repente se tornaram robozinhos, babando ovo bajulando as editoras e os livros só para ganharem livros de graça.
Se você tem um blog literário só para ganhar livros, uma dica: baixe ebooks, ou arrume dinheiro e compre os livros. Isso economizará muito trabalho, e ainda nos poupará de muitos blogs vazios de conteúdo e cheios de "interesses comerciais". 
O blog é um dos espaços mais pessoais que existem, no qual você poderá ser 100% você e os outros que se  danem. Se não gostar, é só não entrar. Não se tornem algo que vocês não são só por um punhado de livros de graça. Como diz o novo (e já linchado verbalmente por mim) autor Dan Gemeinhart, esta é a mais pura verdade.