sexta-feira, 20 de março de 2015

Vamos falar sobre: Insurgent



Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre um dos filmes cuja estreia mais aguardei em 2015 e, infelizmente, um dos piores a que assisti no ano, Insurgente.
É doloroso falar uma coisa dessas, especialmente quando se trata da adaptação de livros que eu gosto tanto e da sequência de um filme do qual gostei bastante. Mas é mais doloroso ainda dizer que tem pouco do livro que adorei, e mal parece ser sequência do filme do qual gostei bastante também. 
O longa continua contando a história de Tris, Four e seus amigos, que se tornaram refugiados em sua própria cidade e precisam combater o governo quase ditatorial imposto por Jeanine, que passa a caçar divergentes predatoriamente em busca daquele que poderia abrir uma caixa misteriosa, que contém uma mensagem dos fundadores da cidade. 
Enquanto a líder da Erudição empreende esta caça, vemos quase uma conspiração (mais tarde explicarei o porquê do "quase") sendo formada, para que Jeanine fosse deposta do poder e uma revolução fosse instaurada no sistema de facções. Mas, aparentemente, o recado que a caixa traz pode mudar tudo, e daqui não darei mais detalhes, por mais que ache que a maioria já leu à obra de Veronica Roth.



Prior passa, neste filme, pelas facções que nos faltavam conhecer: estava refugiada na Amizade e, de lá, passa pelo alojamento dos sem-facção, pela Franqueza e adentra, finalmente, a Erudição. Ao menos a caracterização das facções foi satisfatória, e conseguimos conhecer aquilo que começamos no primeiro filme. Pena que isso seja um dos únicos pontos positivos que tenho a falar.
Não ficarei enchendo minha crítica com "no livro tinha isso, no filme não tem aquilo", mas, quando isso se alia a um claro interesse comercial do diretor, não posso deixar de relatar aqui as muitas diferenças que o livro apresenta da obra em que se baseou.
Divergente, o primeiro filme, consegue ser uma adaptação bastante fiel e que ainda prende o espectador do início ao fim, se mantendo fiel à realidade criada por Veronica Roth. Este segundo, que já descobri ser de um diretor diferente, é quase o oposto. Muitas cenas incríveis e passagens interessantíssimas do livro foram retiradas do roteiro, mas não por questões de adaptação ou porque daria um filme muito mais longo, mas para dar lugar a cenas que parecem ter saído de um videogame e que não trariam nenhum prejuízo à história caso fossem omitidas. 
Certamente você notou todas essas coisinhas explodindo na nossa cara nos trailers e até mesmo no pôster do filme, que, de início, achei até interessantes mas que, vendo o filme, estragaram tudo. Fica claro o interesse comercial quando você nota o quanto da história foi alterado para dar lugar a cenas que justificam o uso do 3D, que é simplesmente desnecessário. Basicamente, são pretextos para jogar coisas na sua cara e fazer uma profundidade forçada só para justificar às pessoas o fato de estarem pagando mais nos ingressos, mas não agrega nada de positivo para o filme em si.
Essas cenas fazem todas partes de simulações, e agora entendo o porquê do slogan "desafie a realidade". Só que até isso incomodou um pouco. Não tenho problemas com alguns momentos em filmes em que ficamos sem saber se se trata de um sonho/simulação ou a realidade em si, mas isso é explorado ao longo do filme todo, e chega a incomodar o modo como somos feitos de trouxas uma vez atrás da outra. 
Como disse, as cenas feitas parecem fazer parte de um videogame. São movimentos que passam muito longe do natural, mesmo se tratando de simulações, e que só me fizeram perceber que toda a conspiração (explicando, aqui, o "quase" do início) e ideais que no livro são tão bem expressos sejam jogados fora para apenas um filme comercial, absolutamente descartável.
E mais triste ainda é dizer que este mesmo diretor dirigirá os próximos filmes (sim, próximos), Convergente: partes 1 e 2. Até Harry Potter isso de dividir o livro final em duas partes não era explorado, mas creio que nesta saga funcionou bem. Em Jogos Vorazes, acredito que um filme mais longo tiraria a necessidade de duas partes de A Esperança, mas também relevemos. Mas, em Convergente, fica mais uma vez claro que o que pretendem é poder fazer mais filmes simplesmente para lucrar mais, e que isso não trará benefício nenhum para o entendimento da história.
Se um olhar profundo fosse acrescentado ao livro, duas partes seriam muito bem-vindas. Mas é óbvio que isso lhes dará mais tempo para acrescentar todos esses enfeites tão desnecessários em Insurgente.
Uma série de filmes que começou muito bem desandou completamente com as mudanças que foram trazidas e que, teoricamente, serviriam para o bem da trilogia. 
Recomendo? Se você é fã, pode querer ver com seus próprios olhos o estrago que fizeram. Mas não recomendo como um filme em si, independentemente da questão de adaptação ou não. 

Até a próxima ;D

domingo, 15 de março de 2015

Filme da Semana: Valente



Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre este lindo filme da Disney, Valente, que traz uma história um tanto inovadora para os padrões do estúdio.
O longa nos conta a história de Merida, uma princesa bem diferente de todas as outras. Ela tem um instinto aventureiro, preza muito por sua liberdade e está 100% nem aí pra casamento ou para suas obrigações como princesa, que são incansavelmente cobradas por sua mãe. 
Conforme Merida cresce, a pressão que sofre torna-se maior, até que chega o dia em que três lordes chegam ao reino para oferecer a ela seus filhos em casamento. Para conquistar a mão de Merida, eles deveriam participar de um torneio, e, já neste torneio, a garota se mostra completamente diferente do resto do universo Disney.
O tal ato da garota neste torneio (que não contarei, obviamente), porém, é completamente desaprovado por sua mãe, e, depois de uma grande briga, Merida sai do castelo e foge para a floresta, indo parar na casa de uma misteriosa feiticeira. A esta feiticeira, a princesa pede algo que mude sua mãe, afinal não quer ser obrigada a se casar. Mas se esquece de especificar que quer que a >ideia< da rainha mude, e não, bem, a rainha em si.
Sua mãe, então, passa por uma enorme transformação, que a coloca em grande perigo. E, como se não bastasse tamanho problema, se determinada "missão" não for cumprida até o segundo nascer do sol, sua mãe se manterá naquela forma para sempre.



Daí em diante, você precisará assistir para descobrir, o que recomendo muito. Além de ser um filme da Disney (quem não gosta de filmes da Disney?), é uma animação maravilhosa, tanto em conteúdo quanto na estética. 
O longa gira em torno do amor de família, de mãe e filha, mais um motivo pelo qual falei que se diferencia dos outros filmes de princesa. Enquanto em outros filmes (com exceção de Frozen) da Disney temos uma princesa sendo salva pelo amor de um príncipe encantado, em Valente temos uma princesa lutando para salvar sua família.
As animações da Disney (e, com isso, me refiro à Disney e à Pixar) são as melhores por não nos apresentarem somente uma história ou belas imagens, mas uma grande lição por trás de tudo aquilo, representada de maneira doce e inteligente. 
Basicamente, é um filme que beira a perfeição, e se você, assim como eu há algum tempo, ainda não assistiu, o que está esperando?

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D

quarta-feira, 11 de março de 2015

Vamos falar sobre: Perdão, Leonard Peacock

Oi, como vai?
Hoje estou aqui para falar sobre Perdão, Leonard Peacock, de Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida, mais um dos ebooks que li nas férias e que só agora consegui reunir meus pensamentos e opiniões de forma decente para poder escrever sobre!
O livro conta a história do jovem Leonard Peacock, um garoto que passou por certos acontecimentos um tanto "traumatizantes" no início de sua adolescência e que hoje se encontra perturbado, completamente descrente com a humanidade, e que chega a uma extrema decisão: cometer um assassinato, e depois se matar.
Mas antes, nesse célebre dia, Leonard deseja empreender uma jornada, visitando as pessoas que, de alguma forma, fizeram diferença em sua vida, e dando-lhes um presente especial.
Assim, o jovem visita seu vizinho idoso com quem se reunia para assistir a filmes antigos de Bogart, uma garota por quem sentiu um tipo peculiar de paixão, seu professor favorito, que lhe ajudou a desenvolver um pensamento crítico e com quem se identifica muito, entre outros personagens, sempre com a arma nazista que herdou de seu avô na mochila e com uma única certeza: no final do dia, irá usa-la.

É um livro, acima de tudo, muito crítico, trazendo interessantes reflexões e questionamentos acerca da vida em si, do comportamento de adolescentes e adultos, do consumismo, etc. Como é narrado em primeira pessoa, conseguimos mergulhar na maneira que Leonard vê o mundo, e como tudo, para ele, parece sem esperanças.
Em passagens muito interessantes, por exemplo, Peacock comenta que gosta de se vestir como um adulto, pegar uma maleta (vazia) e ir até a estação de metrô no horário em que estão indo e voltando do trabalho. Lá, escolhe aquele que lhe parece mais infeliz para seguir e observar. Isso o mostra que muitos dos adultos são infelizes com seus empregos e suas vidas, e o faz pensar que talvez se tornar um adulto não valha tanto a pena.
É um ótimo livro para pensar, mas aviso: as críticas, embora sejam verdadeiras e pertinentes, não devem ser levadas tão a sério, ou você poderá se tornar alguém depressivo e sem esperanças na humanidade como nosso protagonista. E não é exagero.
Todas esses ideais são expressos em uma narrativa leve, fluida, com interessantes diálogos e, mesmo o final não sendo o mais surpreendente (pela premissa escolhida, não havia muitos caminhos para seguir na conclusão), vale a pena ser lido.
Não é um dos melhores que li no ano, e não se equiparou ou superou O Lado Bom da Vida, do mesmo autor, mas é um bom livro, e não deixa de ser recomendado!

Espero que tenham gostado, até a próxima ;D